domingo, 8 de março de 2009

Os Valores e o Poder

As notícias recentes sobre financimentos, para compra de acções, concedidos pela Caixa Geral de Depósitos, merecem profunda reflexão. Os factos narrados são do mais impressionante que já se ouviu em Portugal. E ilustram bem a explicação real para acontecimentos que, normalmente, parecem incompreensíveis.
Essa reflexão deve ser feita sem apontar dedos e sem avaliações abusivas. Não ponho em causa a seriedade de pessoas. Não sei, sequer, quando foram tomadas as várias decisões que são questionadas. Ouvi, na Televisão, no Prós e Contras, que são de diferentes épocas. Conheço Carlos Santos Ferreira há muitos anos e já disse , neste espaço, o que penso sobre ele e sobre Armando Vara, que só conheci há pouco tempo, e que me surpreendeu pela disponibilidade e pela eficiência, seja para responder que sim, seja para dizer que não. E a Administração anterior foi nomeada pelo meu Governo e a outra, antes, pelo Governo de Durão Barroso. E outras, antes, escolhidas por diferentes Governos por exemplo, de António Guterres e de Cavaco Silva, certamente, que, todas, também, com muitas pessoas capazes. Digo tudo isto para tornar bem claro que não pretendo, não devemos pretender, pessoalizar as coisas. Os ataques pessoais, as queixas, os processos contra a pessoa A ou B, servem, muitas vezes, para desviar as atenções do que verdadeiramente interessa. E, com as pessoa distraídas, lá continuam os mesmos, ou outros, a fazerem o que é inaceitável.
Li as declarações serenas, por exemplo, as de Fernando Ulrich, e as mais duras, feitas por António Borges. Li os trabalhos, bem feitos, da Imprensa, nomeadamente, este fim-de -semana. Ouvi, como referi, parte do debate feito, segunda- -feira passada, no Prós e Contras. Ouvi as notícias sobre a intervenção, na Comissão Parlamentar, do Presidente da Caixa, Faria de Oliveira, que parece ter falado com frontalidade e equilíbrio. Importa reflectir com serenidade, para extrair conclusões para o futuro.
Tomadas de posições em empresas? É, pelo menos, discutível o interesse estratégico, por exemplo, da Compal ou de Vale de Lobo. Mas, apesar de tudo, é bem diferente. Agora, milhões e milhões de euros para comprar acções? Com as próprias como garantia? Que nome tem? Causa indignação. Assim, todos podíamos ser accionistas de grandes empresas. Era bom. Mas não é justo nem correcto, como o tempo veio a demonstrar.
Há tempo que era sabido. Quanto tempo demorou a ser assumido o destaque que merecem tais factos? Quantos serventuários andam por aí, a falar ao lado do que realmente interessa? Conhecendo, mas omitindo. Quantas referências houve, muito pequenas, em espaços bem secundários? Negócio ruinoso em Porto Rico? Tudo indica que sim. Pois!...
Haverá mais, noutras entidades, com a mesma configuração, de centenas de milhões de euros, para outras aquisições de participações? Com o valor certo, com o valor muito inflacionado? Sabe-se lá.
Essas decisões inaceitáveis geraram mudanças em vários sectores. Caucionadas pelo poder que fascinou muitas pessoas ... Construiram, também, poder a muitos que cresceram "em altura". Andavam empertigados. E os piores são os vindos da Oposição, e que foram por eles escolhidos , por competência, claro, para serem dos poderosos. Alguns desses, que são tão bons que estão com todos, nem o telefone atendem aos que antes procuravam, elogiavam, serviam. Por isso, porque agora se julgavam sempre poderosos, andavam tão contentes e tão importantes. Como é que haviam de querer saber de alguém? E, nalguns casos, ainda mantêm a pose.
Não vale a pena pensarem que é possível continuarem com as mesmas protecções sobranceiras. Em vários casos, em diferentes sectores de activadade, um dia destes serão substituídos. E não terão mais ninguém a dar-lhes a mão. Terão de contar consigo próprios. Mas se não se desejam atitudes persecutórias, também não se admitem falhas das memórias. É que algumas práticas foram generalizadas, são de vários e tornaram- se quase toleradas. Novas espécies de feudalismo, que deram já em descalabros e falências, em vários cantos do Mundo.
Agora, o que mais importa é evitar rupturas indevidas, equilibrando os procedimentos e eliminando os abusos. A sociedade precisa de uma Nova Ordem, na qual devem caber todos os que percebam que terminou um tempo e um modo de agir e decidir.
Trata-se de uma Revolução de valores e do valor. Volta o tempo, quase, de economia de troca. Mas, acima de tudo, o tempo em que só tem valor o que é raro e mesmo necessário. Que meditem os que pensam que tudo, ou quase tudo, podem fazer com o poder.

sábado, 7 de março de 2009

Desviar a atenção

A propósito de alguns processos a que começamos a assistir, de repentinas demarcações em relação ao Governo, convém, sem agitação, alguma clarificação.
Já que se falou de Segurança, e tendo em conta o assustador aumento da criminalidade em muitas zonas de Lisboa, quantas esquadras da Polícia Municipal abriram nos últimos dois anos?
Críticas ao Ministro Rui Pereira? Pois...Agora convém. Principalmente, quando se fala próximo de Presidentes de Juntas de Freguesia. Mas, por muito que tentem compor histórias, as pessoas conhecem a realidade. Especialmente, quem está mais próximo dela, como as populações e os que dirigem as suas Freguesias.
Repete-se: quantas esquadras da Polícia Municipal foram criadas neste período em que os assaltos a casas, os carjackings, os roubos na rua, tanto aumentaram.? Eu vivo em Lisboa e sei quantas vezes passam, ou não passam, elementos das forças de segurança em zonas com frequentes assaltos a casa. Quem faz pouca vida na cidade, tem muita dificuldade em saber o que se passa.
A situação que acontece em vários pontos de Lisboa com a gestão dos semáforos, demonstra, também, que faz muita falta aos Autarcas andarem no trânsito, conduzindo (para além do uso frequente dos transportes públicos). Só para dar dois exemplos, na zona do Marquês de Pombal e na zona da Estefânia, é grande a necessidade de regulação.

Confirmações

Nos projectos das taxas moderadoras, Jaime Gama não votou e faltaram mais dois Deputados, um do PSD, outro, independente ex-CDS. Portanto, 115 de um lado e 112 do outro. Mas a questão politica não se altera. Como se comprova pelas declarações, ontem, de um Deputado do PS, atacando Manuel Alegre. E, principalmente, pelas notícias e entrevistas na Imprensa de hoje.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Insustentável

O PS chumbou os projectos que pretendiam pôr termo às taxas moderadoras nas cirurgias e nos internamentos.pa A posição oficial do PS não foi seguida, novamente, por cinco Deputados socialistas, o que reduz a maioria para 116 votos, exactamente o número da maioria absoluta tangencial. Mais uma vez, Manuel Alegre e outros quatro Deputados não respeitaram a disciplina de voto.
O PS tem aqui uma questão muito séria. É muito bonito continuar a apregoar que no PS é só liberdades, porque eu queria ver como era se fossem mais os Deputados "desobedientes". De qualquer modo, também para Manuel Alegre a situação é cada vez mais exigente quanto à necessidade de uma clarificação. E é cada vez mais estreita a margem de manobra para uma reconciliação com a Direcção do seu Partido. Depois de tanto desacordo em tanta matéria, seria difícil de compreender um realinhamento à beira das eleições. Até porque o risco para o PS também seria muito grande: Manuel Alegre exigiria sempre lugares para Deputados que lhe são próximos e o PS, mesmo que ganhasse as próximas eleições, não seria certamente por uma margem folgada o que torna mais insustentável toda estas liberdades nas votações do seu Grupo Parlamentar.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Novas das Rádios

Começou um novo programa, na Antena Um, aos Sábados, das 10 às 12. De Pedro Rolo Duarte e João Gobern. Nome: Hotel Babilónia. Este nome, como sublinha Rolo Duarte, no seu personalizado Blogue, foi escolhido com a devida homenagem ao espaço que era do saudoso Cáceres Monteiro.
Se há notícia de um bom começo, li, também do mesmo autor, que acabou , na TSF, um programa célebre, A Idade da Inocência, de Margarida Pinto Correia e Luís Ferreira de Almeida. Como já foi a segunda estação radiofónica, certamente que ainda haverá outras.

Democracia de costas

Painel de debate na SIC Notícias: pela esquerda, Helena Roseta, candidata à Câmara de Lisboa e Rui Tavares, candidato na lista do Bloco de Esquerda ao Parlamento Europeu; do outro lado os jornalistas Maria João Avilez e Ricardo Costa, este, desde há tempos, sempre "na antena"... Candidatos ou politicos do centro -direita, não há?
Hoje, terça-feira, esteve Helena Roseta, terça passada esteve António Costa, no Dia D, também com Ana Lourenço. À quinta está António Costa, na Quadratura do Círculo. À sexta, Expresso da Meia Noite, com Ricardo Costa.
Entretanto, pelo meio, nos intervalos, aparece Ricardo Costa a falar sobre o que mais o impressionou nestes anos que foi, claro, o meu Governo. Ou, então, repete-se um vídeo, meio satírico, sobre o tempo, também, do meu Governo, com uma música de fundo de acordo com os propósitos da peça que é exibida.
Ah, é verdade: no Jornal da generalista, desta terça, também passou outra peça, sobre o Plano da Av. da Liberdade, dizendo a jornalista que Jorge Sampaio o começara e António Costa o aprovara. Só esqueceram quem o foi retomar, porque João Soares o pusera na gaveta. Sim, foi a Câmara, por mim liderada, que, em 2003, desenvolveu o Plano que demoraram estes anos a aprovar. A versão transmitida no Noticiário é igual à de António Costa, na entrevista a Ana Lourenço, na semana passada.
Tudo na ordem. A deles.
Tudo com calma. A nossa.
Agora, é assim.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Indicadores

A inflação na Zona Euro cresceu uma décima em Fevereiro, para 1,2%. É um sinal curioso que, para já, não confirma o caminho deflacionista.
Foram razoáveis, também, as notícias do Conselho Europeu informal de ontem, em Bruxelas. Começa a ser trilhado o caminho para definir aquilo que os Bancos não podem continuar a fazer. E lá está aberto e aprofundado o processo da eventual criação de um Banco que segure os créditos ou títulos chamados mais pobres ou, noutro sentido, mais tóxicos.

Grandes Jogos

Que grande jogo, o Atlético de Madrid-Barcelona desta jornada. O Atlético esteve a perder 0-2 e ganhou 4-3. Impressionante o ritmo, a velocidade. Como no Olympique de Lyon- Barcelona de terça-feira passada. Absolutamente impressionante.
A propósito de futebol, estive a ouvir agora uns minutos do programa de desporto da SIC Notícias, onde comenta Rui Santos, que fala de mim sempre do mesmo modo, por causa de Carlos Queiroz, que foi substituído, como treinador do Sporting, pela Direcção a que presidi.
Então não é que me resolve nomear como exemplo de quem começou por ter Pinto da Costa como inimigo e, depois, se aproximou, acreditando que o Presidente do Porto poderia transigir na sua linha de defesa dos interesses do seu clube?... Com tanto Presidente que fez alianças com Pinto da Costa, como José Roquete e Dias da Cunha- o que não comento- refere-me a mim, que mantive o clube, sempre,, em oposição ao poder reinante e fora dos órgãos da Liga? É inacreditável!
Confundir as atitudes correctas e as palavras de cortesia que Pinto da Costa me dirigiu, quando cessei aquelas funções, com as opções na liderança do clube? É inacreditável! Só faltava agora... Enfim, tem a importância que tem. Mas saltar de canal e ouvir mentira atrás de mentira...
A propósito de Atlético de Madrid, que boa exibição o Porto lá conseguiu na véspera do que aconteceu ao Sporting frente ao Bayern. E, afinal, dias depois, o Sporting conseguiu um bom resultado no Estádio do Dragão. É assim o Desporto em geral e o futebol em particular. O pior são os comentários sobre as arbitragens...
A propósito: ouvi um trinador, julgo que do Rio Ave, Carlos Brito, a elogiar o trabalho do árbitro depois do jogo que a sua equipa perdeu. Muito bem. Belo exemplo.

domingo, 1 de março de 2009

O COMEÇO

Começou hoje, dia 1 de Março de 2009, às 0hs:


http://www.pedrosantanalopes.net/.

É apenas o começo.

Vazio de Congresso

Impressionante, a falta de substância e a distância da realidade que o Congresso do PS demonstrou. Como é possível num tempo de uma crise tão profunda? Esse vazio é a prova mais evidente de que José Sócrates e a sua equipa estão afectados pelos tempos difíceis que têm atravessado. E como foi tão limitada a constatação desse lamentável vazio pelos analistas e comentadores, jornalistas ou outros.
O que importou, e importa, pelos vistos, é o que consta da imagem acima: vencer em 2009. Mas, sem demagogias, o que nos importa, a todos, é vencer a crise .
A propósito de eleições, é óbvio o truque de tentar fixar o debate entre o PS e o Bloco de Esquerda para que, assim, o PSD fique de lado. É uma estratégia arriscada porque se o PSD agir capazmente e assumir a liderança da Oposição, o sucesso desse caminho é pouco provável. De qualquer modo, e apesar de se tratar de um fórum socialista, foi notório que a popularidade de José Sócrates continua em níveis assinaláveis.

A escolha de Vital Moreira demonstra , também, que o PS quer segurar, já nas eleições europeias, a faixa mais à esquerda do seu eleitorado.