Estive a ver a entrevista que o Primeiro - Ministro deu à RTP na passada quarta - feira. Estive também a ler os comentários. São genericamente elogiosos. Em minha opinião, José Sócrates demonstrou, como nunca, que já esteve em melhor forma. Na verdade, as medidas que anunciou são politicamente fracas até por serem pouco imaginativas. A do IMI vem na esteira de uma proposta de Manuela Ferreira Leite na campanha das Directas e a dedução no IRS das despesas com o crédito à habitação, na linha de propostas apresentadas pelo CDS/PP e pelo PPD/PSD(o que este Partido, tanto quanto li e ouvi, não faz por lembrar). Mas o principal foi que, quando perguntado pelo impacto financeiro dessas medidas, José Sócrates, passe o termo, "patinou" de um modo que fez lembrar "a cena do PIB de Guterres. E, depois, acabou por responder, inseguro, "umas dezenas milhões de euros"!!!...Já várias vezes, no Parlamento, em vários debates, tinha ficado com a sensação de que o facto de Sócrates, frequentemente, não responder, não se deve a opção táctica mas, simplesmente, ao facto de não saber a resposta. Desta vez é também grave porque, ainda por cima, respeita a medidas que fez questão de anunciar naquela entrevista.
Essa é uma questão muito, muito séria no Portugal de hoje: o modo como se tapam os erros de uns, principalmente de um. Para quem não reparou, vale a pena ver as imagens outra vez. E, pelos vistos, houve muita gente que não reparou.


