A propósito do acordo de concertação social e da conferência, de hoje, da troika:
Público : 8 de Setembro de 2004
Santana Lopes voltou hoje a associar um possível aumento salarial na função pública a um significativo crescimento da produtividade, sublinhando que cabe a sindicatos e empresários garantir o sucesso dessa relação e, assim, assegurar que "os trabalhadores possam ver a sua vida melhorada".
No seu terceiro dia de visita oficial ao Brasil, Santana Lopes voltou ao assunto dos aumentos salariais da função pública, que já tinha marcado o Conselho de Ministros de Évora, realizado no passado sábado.
Na altura, Santana Lopes considerou estranho que sindicatos pedissem aumentos de 4,2 por cento mas fixassem o crescimento da produtividade em apenas um por cento. "O que eu disse é que esses valores não podem ser tão diferenciados", sustentou o chefe de Governo, criticando aqueles que interpretaram as suas palavras como um anúncio de que os aumentos da função pública iriam ser de um por cento.
"Concederemos de aumento da função pública tudo o que estiver ao nosso alcance, dentro do que o rigor e o bom senso nos permitem", disse.
O primeiro-ministro recusou, assim, fixar valores para os aumentos dos salários antes de discutir com sindicatos e empresários o aumento da produtividade. "Os trabalhadores poderão ver a sua vida melhorada se quem os representa se comprometer a aumentar a produtividade", declarou, admitindo um aumento faseado de acordo com o cumprimento de objectivos eventualmente fixados.
Questionado sobre a percentagem de aumentos salariais para a função pública, Santana Lopes foi cauteloso. "A nossa margem orçamental é muito pequena: negociar acima da taxa de inflação só é possível com contrapartidas muito significativas do lado da produtividade e da criação da riqueza", sustentou, justificando que "Portugal não pode viver de rendimentos".