Domingo, 6 de Julho de 2008

Em falso

Estive a ver a entrevista que o Primeiro - Ministro deu à RTP na passada quarta - feira. Estive também a ler os comentários. São genericamente elogiosos. Em minha opinião, José Sócrates demonstrou, como nunca, que já esteve em melhor forma. Na verdade, as medidas que anunciou são politicamente fracas até por serem pouco imaginativas. A do IMI vem na esteira de uma proposta de Manuela Ferreira Leite na campanha das Directas e a dedução no IRS das despesas com o crédito à habitação, na linha de propostas apresentadas pelo CDS/PP e pelo PPD/PSD(o que este Partido, tanto quanto li e ouvi, não faz por lembrar). Mas o principal foi que, quando perguntado pelo impacto financeiro dessas medidas, José Sócrates, passe o termo, "patinou" de um modo que fez lembrar "a cena do PIB de Guterres. E, depois, acabou por responder, inseguro, "umas dezenas milhões de euros"!!!...
Já várias vezes, no Parlamento, em vários debates, tinha ficado com a sensação de que o facto de Sócrates, frequentemente, não responder, não se deve a opção táctica mas, simplesmente, ao facto de não saber a resposta. Desta vez é também grave porque, ainda por cima, respeita a medidas que fez questão de anunciar naquela entrevista.


Essa é uma questão muito, muito séria no Portugal de hoje: o modo como se tapam os erros de uns, principalmente de um. Para quem não reparou, vale a pena ver as imagens outra vez. E, pelos vistos, houve muita gente que não reparou.

Espanha


Espanha em todo o lado: Euro -2008, primeira camisola amarela, por Valverde, na edição deste ano da Volta a França, e agora , por Nadal a jogar a final de Wimbledon. É obra.

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Ciclos que terminam. Outros que começam.


Terminou um ciclo. E, noutro plano, de outro percurso, outro ainda também se concluiu. Estes bem maiores: o percurso e o ciclo.

Estão outra vez no poder, no PPD/PSD, por si próprios, os que deixaram de estar, desse modo, em Julho de 2004. Quatro anos depois: o tempo de uma Legislatura. A um ano de eleições. A bem menos de um ano de serem escolhidos os respectivos candidatos.


Entretanto, a Bolsa continua a cair, os mercados estão parados, os preços estão descontrolados.

Mas importa continuar a acreditar. A OCDE apresenta o seu relatório sobre Portugal na presença do Primeiro - Ministro e do Ministro das Finanças. É aprovado o texto de acordo sobre o Código Laboral. O Primeiro - Ministro José Sócrates chama a si as negociações com os agricultores.


Ciclos que terminam. Outros que começam.

Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Nem mais nem menos...

Para ver se todos entendem: a questão das medalhas não interessa mais do que eu disse: para se ver como as coisas funcionam. Como calculam, se falei do assunto depois de o Diario de Notícias ter falado, foi sabendo o que ia ouvir. Se desse importância, pessoal, agora ou para o futuro, não falaria no tema. Nunca falei nas que não tenho nem sequer nas que, porventura, tenha de outros Estados. Há anos que considero a situação lamentável e sabem - no várias pessoas. Assisti a essas condecorações em 2005 e nada disse. Tenho a certeza de que mesmo vários dos que me criticam, sendo pessoas inteligentes, sabem que tenho razão. Nada tem a ver com Luís Marques Mendes que é uma pessoa com valor e que tem direito a isso e a mais ainda. E estou a falar sem ironia.

E, já agora, este blogue é o meu espaço de liberdade. É e continuará a ser. O que não me dá o dever de não insultar ninguém mas que me concede o direito ( e também o dever) de não publicar insultos a ninguém.

Domingo, 15 de Junho de 2008

VALE MESMO TUDO?

É inacreditável. Peguei agora no Público , como se fosse a sério, uma frase que disse, em tom de brincadeira, a uma jornalista do Público, Margarida Gomes. Descobri porque ao pegar no jornal vi, na última página, que estava de seta para baixo. e pensei para mim: o que fiz agora, ainda por cima de férias há uns dias? Felizmente tinha várias pessoas ao pé de mim e ouviram o tom e o conteúdo bem disposto desta e doutras frases... Disse que, agora que não vou ser candidato a qualquer cargo, talvez possa receber uma medalhazita no próximo ano. Alguém a sério pode pensar que alguém pensa ou diz isso a valer? Rimos dessa e de outras frases, sobre mergulhos no Rio Tejo, , e outras. Uma vez, a falar bem disposto, em repouso, ao pé de família e de amigos... Que horror! Ao ponto a que isto chegou.

Entretanto, num comentário aqui no blogue dizem que um jornal diário escreveria que eu teria pedido a Manuela Ferreira Leite para "dirigir" o debate quinzenal com José Sócrates. Ainda não consegui descobrir que jornal é, mas nem quero acreditar. Ao que isto chegou! INVENTAM? MENTEM? APROVEITAM CONVERSAS OFF PARA TEXTOS A SÉRIO? ONDE VAI ISTO CHEGAR?

Sábado, 14 de Junho de 2008

Esclarecimentos

1- Finalmente alguém esclarece a verdade do que tenho dito: não sou candidato à Câmara de Lisboa. Vem hoje no Público. Custou, mas foi. Já o tinha dito a vários Órgãos de Comunicação mas estava difícil. Um deles perguntou- me sobre as minhas intenções na matéria e eu disse que estava fora de questão. Depois pôs outra questão: " mas não disse que estava em reflexão?" Respondi que sim mas que nem queria ouvir falar em campanhas pois ainda agora tive uma. Notícia: Santana em reflexão sobre candidatura a Lisboa. Outro: " é candidato a Lisboa?" Respondi que não. Nova pergunta: " mas não acha que António Costa é derrotável?" Respondi:" claro que sim. Mas eu não quero". Notícia: "Costa é vencível" e, mais adiante: " Santana equaciona candidatura. O que hei -de - fazer? O defeito é meu, de certeza.
2 - Teresa Dias Mendes escreve no Diário de Notícias que eu tive mau perder porque não estive no debate quinzenal. Manuela Ferreira leite sabe que não foi por mau perder e que não o tive. nem para esse dia. Se alguém é sempre apontado como tendo fair - play, penso que sou eu. Mas, de qualquer modo, nunca os vi escrever que Luís Marques Mendes teve mau perder por não ter ido ao Congresso depois de ter perdido as directas ou por não ter voltado ao Parlamento.
É mesmo a democracia das duas medidas. E destes avaliadores da moral dos outros.

O Plano B


Como já disse, fazia mesmo falta um Plano B. E compreeendo os vários comentários que salientam o facto de os Portugueses não terem sido ouvidos directamente, entendendo, por isso, que a sua vontade soberana não foi posta em causa. Sou sensível ao argumento mas também não porão em causa que os Parlamentos, nos estados democráticos, exprimem a voz do Povo Soberano. Devem fazê - lo.


Afinal não foi porreiro,pá!...

Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Irlanda e imprudências

A Irlanda vai votar. Se vota Não, lá vão começar os esclarecidos a repetir o que há tempo defendo e referi em debates recentes, no Parlamento, sobre o Tratado de Lisboa: tem de haver uma cláusula nos Tratados a prever a consequência de um ou mais Países votar não. Ou então ficam vinte e seis Povos afectados nas suas vontades soberanas pela vontade, também soberana, de um outro. A inexistência dessa cláusula, depois do sucedido com o Tratado de Roma de 2004 foi o que mais fundamentou a minha posição contrária à realização de um referendo em Portugal(para não falar dos outros Países).

Tem sido uma enorme imprevidência não prever esse opting out institucional. Como é possível que os órgãos da União Europeia, ainda para mais com a experiência recente, não tenham previsto e prevenido essa hipótese? Se os Irlandeses votarem não, a União vai ficar mais uns anos "a marcar passo"?

Esperemos que votem sim.

Terça-feira, 10 de Junho de 2008

Como é possível???

Nestes dias mais recentes voltaram a sair notícias sobre o Casino de Lisboa na sequência de um Parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria - Geral da República, solicitado, tal como a Lei admite, pelo Governo. Pela minha parte, que me lembre, só uma vez falei deste assunto desde que começou a ser objecto de polémica.

Os títulos do Correio da Manhã, no Sábado, e do Diário de Notícias, ontem, diziam "PGR diz que Governo de Santana..." ou mesmo só "Santana..." "fez lei à medida da Estoril - Sol" ou para satisfazer pretensões da Estoril - Sol... Tais títulos esquecem só, nomeadamente , que o dito Parecer afirma que essa decisão, no quadro existente decorrente de responsabilidades anteriores, "parece traduzir uma solução legislativa equitativa não desconforme com o princípio do Estado de Direito Democrático". Como o texto do próprio DN reconhece, o dito Parecer não considera que o interesse do Estado tenha sido lesado ou que a decisão do meu Governo configure qualquer ilícito. Então, como explicar tal título, ainda para mais, repetido com dois dias de intervalo, na primeira página de dois jornais?

QUEM NOS DEFENDE NESTE PAÍS?

P.S. 1- O DN escreve , dois dias seguidos, que me tentaram contactar, sem sucesso. Mas nem um telefonema registado no meu número para o qual têm ligado sempre que querem, nomeadamente na campanha das "directas". E também nem um telefonema para o Assessor de Imprensa do Grupo Parlamentar, José Mendonça, que encontram igualmente sempre que têm interesse nisso. Portanto, é falso. Querem escrever o que escreveram, como escreveram. Voltámos a práticas da ditadura? Os mandaretes do antes do 25 de Abril não fariam diferente.
P.S. 2- Fui ontem informado, depois de ter procurado o Parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria na Net, de que o mesmo tinha sido enviado ao Governo, nos termos da Lei, para ser decidida a eventual homologação. Tentem adivinhar quem tem estado a dar o Parecer, aos poucos, à Imprensa, fazendo- a incorrer em erros lamentáveis...
P.S.- Sobre esta matéria há, aliás, um texto interessante de José António Saraiva, na sua coluna semanal no jornal Sol do passado dia 1 de Março. Não significando esta sugestãoque eu concorde com tudo o que de lá consta.

O regime

Luís Marques Mendes foi hoje condecorado. E, certamente, muito bem. Já foi Presidente do PSD, Ministro. Por que não? Eu também fui Presidente do PPD/PSD, mas não fui Ministro, só Primeiro - Ministro.
Aliás, já disse o mesmo de todos os que foram condecorados por terem organizado comigo a Lisboa - 94. Por que não? Era merecido. Eu não era da Administração da Lisboa - 94. Só a tutelava, era o responsável como Secretário de Estado da Cultura, em conjunto com a CML. Só os escolhi, aprovei a programação, escolhi as obras e tratei do financiamento de quase todas.
Como disse o mesmo de Teresa Patrício Gouveia, quando cessou funções governativas após 4 anos como Secretária de Estado da Cultura. Por que não? Era merecido. No meu caso, exerci as mesmas funções mas 5 anos. Não foram só 4. Ultrapassei o previsto...
Como já o disse de tantos outros. Por que não? Só não digo que foram merecidas todas as condecorações atribuídas por Jorge Sampaio, nas últimas semanas de Presidência, porque é impossível seguir toda a lista de actores, empresários, autarcas, colaboradores seus na Câmara de Lisboa, estilistas, mandatários seus, gestores, jornalistas, dirigentes de associações, cabeleireiros, tantos, tantos. De qualquer modo não fui nada disso nos seus mandatos. Fui autarca, Presidente de duas Câmaras Municipais, uma a da capital do País, mas já não era. Exerci o cargo de Primeiro - Ministro mas tinha sido pouco tempo antes. Se calhar foi por isso.Mas, mais do que eu, quantos haverá, em tantas áreas de actividade, que não são reconhecidos.
Não é que interesse muito ou que interesse pouco e que não saibamos todos quanto, infelizmente, essas situações estão desvalorizadas. Interessam cada vez menos. Quem já seguiu por perto o modo de atribuição, por exemplo, em visitas oficiais, sabe o que significam essas realidades. Só merece algumas palavras pelo que representa quanto ao funcionamento deste regime. Acreditem: distinções destas não são para qualquer um, mesmo para quem esteja nas mesmas ou em melhores condições. É para quem é. E não temos nada com isso.