terça-feira, 12 de agosto de 2008

Os gostos das lideranças

Há anos que não vou à festa do Pontal. José Mendes Bota, simpaticamente, telefonou, a insistir na minha presença. Gostava de ir, mas não vou poder ir. Gostava de poder aceitar o convite, naturalmente por quem o faz, mas pensando na organização e naquilo que representa. O PPD/PSD não é feito só de Universidades de Verão ou de Inverno. Nem só de universitários. Por isso mesmo, porque é eminentemente popular, porque está ligada a momentos importantes, essa festa faz parte da tradição "laranja". E quem lidera, para não ir, tem, obrigatoriamente, de ter uma boa razão. Até pode nem falar. Mas deve estar junto daqueles que se dispõem, numa altura tão difícil para mobilizações, a estar juntos pela bandeira partidária, com a história que simboliza e as causas que representa.

Quando liderei o PPD/PSD, a partir de Julho de 2004, tive, logo de início, a festa de Chão de Lagoa. Não pude ir por causa da formação do Governo. Festa do Pontal não havia, por decisão, ou falta dela, da estrutura distrital de então, presidida por Isabel Soares. Fui à Universidade de Verão, aceitando o convite de Carlos Coelho, e tendo anunciado lá as taxas moderadoras progressivas.
Logo quando eleito, tomei a decisão de acabar com as estafadas reentrés.que eram comícios de Verão, mudando de terra, todos os anos. E, por isso, e ao contrário do Pontal, não conseguindo criar tradição. Lembrava -me das camionetas de Gondomar que tinha visto, dois anos antes, na Póvoa de Varzim. Foi-me, depois, explicado que eram as gentes dessa concelhia quem assegurava a Norte, durante várias lideranças, o sucesso dos comícios. Aliás, quem não se lembra também das camionetas que, mais recentemente, no Hotel Altis, em Lisboa, asseguravam "o calor" das comemorações de vitórias do PS? É uma realidade plural!...

No Pontal, que eu saiba, há muita gente e a grande maioria vai pelos seus meios. Mas cada liderança, seu gosto. E, pelos vistos, uma festa assim "não cai no goto" da nova liderança.
Eu já vi Manuela Ferreira Leite em várias organizações da Distrital de Lisboa, aqui há uns anos. Mas, também tenho presente que, na campanha das "directas", de todos os candidatos, foi a única a não ir ao almoço do 1º de Maio, organizado pelos TSDs.

Eu bem digo, sempre, que há, pelo menos, dois. Com a diferença de que, um está bem em todo o lado, enquanto o outro, só com direito de admissão reservado.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Breves Notas

Sobre o conteúdo de alguns comentários, duas notas:

1- Sei bem qual é a realidade. No Algarve, então, e como assinala um dos comentários, sabe o País todo o que se passa graças ao dinamismo e à capacidade do Presidente da Câmara de Vila-Real de Santo António. Mas somos sempre surpreendidos e ficamos chocados quando lidamos mais de perto com ela. Por ter essa ideia de qual a realidade do País é que lutei muito contra as decisões deste Governo de encerrar muitas urgências e centros de saúde por todo o País. Para além de me orgulhar de ser o cidadão que mais tem falado contra a desertificação do território. Para além de decisões várias que mais ninguém tomou;
2-Quanto ao Estatuto dos Açores, a decisão sobre o voto foi já desta liderança. e sobre os votos em si, é conferir no site da Assembleia a lista de presenças no respectivo dia.

domingo, 10 de agosto de 2008

Inconcebível

Quinta-feira, dia 7 de Agosto de 2008, a partir das 21 horas, Algarve, Portugal.
Um familiar meu teve um problema grave nos olhos. Acreditam que não havia um único oftalmologista de serviço no Algarve? Telefonemas para todo o lado: Hospitais, Centros de Saúde... Até se ouviu esta resposta espantosa. " A esta hora???...". Já alguém chamava uma ambulância para levar esse familiar para Lisboa, quando se conseguiu descobrir dois grandes médicos de Coimbra, em férias no Algarve. Um de cirurgia interna, o outro da especialidade.
A pessoa em causa estava a a passar uma autêntica tortura e não havia ninguém para, sequer, observar. No Portugal da União Europeia cheio de auto-estradas e computadores. Neste caso, graças aos conhecimentos, resolveu-se e, Graças a Deus, as melhoras são já significativas. Mas é uma vergonha.
Pode alguém dizer que já exerci o cargo de Primeiro-Ministro. Sem dúvida. Pouco tempo, muito pouco tempo. De qualquer maneira, noutro plano de carências na área da Saúde, no primeiro Conselho de Ministros a que presidi, solicitei ao Ministro da Saúde que alargasse o plano de construção de unidades de tratamento oncológico às diferentes parcelas do território nacional. E que fosse dada absoluta prioridade a esse plano. José Sócrates inaugurou uma dessas unidades, há cerca de uma semana, em Vila Real. Era chocante saber que pessoas carecidas desses tratamentos tinham de se deslocar, centenas de quilómetros, para longe das suas casas.
Coitadas das pessoas do Algarve e de tantas regiões do País. Disseram-me, no Algarve, que se passa o mesmo com os otorrinolaringologistas. Como é possível? Para os Portugueses e para os turistas, tantos, no Verão, nomeadamente, não serão essas especialidades daquelas que mais precisas podem ser?
Serviço Nacional de Saúde universal e tendencialmente gratuito: claro que sim! Mas onde for possível, deixem os privados fazer. Não só a construção, também a responsabilidade clínica.
Repito: não há um oftalmologista no Algarve, à noite, no mês de Agosto.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Mensagem


Nos tempos confusos que vivemos é ainda mais importante olhar para a essência das coisas. Ou, dito de outra maneira, separar o trigo do joio. Pode ser discutido o tempo e o modo do anúncio da comunicação Presidencial. Já o conteúdo é de indiscutível relevo. As normas do Decreto do Estatuto dos Açores, citadas por Cavaco Silva como inaceitáveis, de facto, são- o. E levaram o Presidente ao ponto de considerar que a sua aprovação poderia pôr em causa o regular funcionamento das instituições da República. Ou seja, afectaria "o regular funcionamento das instituições democráticas"... Como não vi ninguém referir esse ponto tão relevante da mensagem ,quero eu destacá - lo. É que, como se sabe, esse é o fundamento único que a Constituição prevê para o Presidente da República poder demitir o Primeiro - Ministro: quando tal decisão seja essencial para assegurar «o regular funcionamento das instituções democráticas». Cavaco Silva pode, às vezes, exagerar na forma ou errar no grau das expectativas criadas. Mas não escreve uma frase dessas por acaso, ou por engano. Ninguém o faria, seguramente, dada a gravidade das possíveis consequências. E Cavaco Silva, então, nunca. Para o escrever e dizer é porque o pensou muito. E tem algo em mente.

domingo, 27 de julho de 2008

MARCANTE


O discurso de Barack Obama, em Berlim, é, sem dúvida, um momento muito especial. Mas, e o significado de toda aquela organização? Com muito de espontâneo, seguramente, mas com quanto trabalho prévio para que se certificassem de que seria um sucesso? Quanto tempo antes terá começado a preparação? E o significado político de ela ter lugar na Alemanha, governada pela Grande Coligação mas com uma Chanceler da CDU como Angela Merkl? Ainda por cima, com as palavras e os sorrisos de Sarkozy, logo a seguir, na recepção no Eliseu.

Se fosse para o outro candidato, o que a esquerda não diria!...

domingo, 13 de julho de 2008

O trabalho de Sarkozy

Apesar das muitas polémicas em que se envolve, Nicolas Sarkozy continua a marcar pontos na cena internacional. Depois dos muitos esforços que fez no processo de libertação de Ingrid Betancourt, é agora o sucesso com a cimeira da União para o Mediterrâneo, tendo conseguido a participação de cerca de 40 Chefes de Estado e de Governo com resultados, nomeadamente quanto ao Médio Oriente que merecem a devida atenção.
Este desenvolvimento do chamado processo de Barcelona constitui um triunfo da Presidência Francesa e, naturalmente, do Presidente Sarkozy. Só a participação do Presidente da Síria, Bachar Al Assad, nesta cimeira e o facto de este País e o Líbano, pelo Presidente Michel Suleiman, terem decidido reabrir, reciprocamente, as respectivas Embaixadas, constitui passo merecedor de realce. Isto para além de outro importante encontro entre o Primeiro - Ministro Israelita, Ehud Olmert, e o Presidente da Palestina, Mahmud Abbas. Lembremo - nos de que Sarkozy desenvolve toda esta actividade diplomática sem choques transatlânticos, continuando assim firme na ruptura com o distanciamento dos EUA que dominou, durante muitos anos, a política externa do seu País.
Como mero registo, saliente -se que esta segunda - feira é o Dia Nacional da França. Há sempre Bastilhas para tomar.

Manda quem pode!

Para falar, de vez em quando,um bocadinho de futebol, não percebo - e ,comigo, os meus filhos e vários amigos meus - como é que nenhum dos clubes grandes contrata Linz, o Austríaco que joga no Sporting de Braga depois de ter jogado no Boavista... Será que pedem muito pelo passe? É que parece ser um bom avançado - centro. Mas enfim. .. Manda quem pode!...
Aliás, isso acontece muitas vezes a quem vê da bancada. Por exemplo, o Vitória de Guimarães não tinha vários bons jogadores este ano? e foi algum para um dos "grandes"? E não foram vários para bons clubes europeus? Vá lá alguém entender isto.

Bons Valores

Fantástica reportagem, há pouco, na SIC, de Cândida Pinto e Pedro Cepa ( julgo ser este o nome), sobre um caçador de diamantes que em África construiu o seu mundo de aventuras do qual regressa, quando pode, à sua casa no Fogueteiro, à sua família, aos seus carros, incluindo Ferrari, aos seus negócios europeus. Que contrastes, que histórias fascinantes, que personagens. E ainda bem que Cândida Pinto saiu da direcção do Expresso para voltar a estes trabalhos de reportagem nos quais, hoje em dia, é absolutamente insuperável.
Extraordinária aquela resposta em que o caçador explicou como é um risco dizer -se em África que se é amigo do Presidente de um País e que o mais adequado é ser se ligado a alguém " dois ou três graus mais abaixo"...
Continuando a espreitar a SIC, enquanto aqui escrevo e depois de rever as notas que dei nos testes escritos de Direito Constitucional - uma vez que é semana de orais -, nota - se na nova programação um dedo sabedor.Por exemplo, o novo programa de Herman José é um "light" que entretém e que é mais adequado à sua versatilidade do que os imediatamente anteriores. E, pelo que sei, as audiências estão a compensar.

domingo, 6 de julho de 2008

Em falso

Estive a ver a entrevista que o Primeiro - Ministro deu à RTP na passada quarta - feira. Estive também a ler os comentários. São genericamente elogiosos. Em minha opinião, José Sócrates demonstrou, como nunca, que já esteve em melhor forma. Na verdade, as medidas que anunciou são politicamente fracas até por serem pouco imaginativas. A do IMI vem na esteira de uma proposta de Manuela Ferreira Leite na campanha das Directas e a dedução no IRS das despesas com o crédito à habitação, na linha de propostas apresentadas pelo CDS/PP e pelo PPD/PSD(o que este Partido, tanto quanto li e ouvi, não faz por lembrar). Mas o principal foi que, quando perguntado pelo impacto financeiro dessas medidas, José Sócrates, passe o termo, "patinou" de um modo que fez lembrar "a cena do PIB de Guterres. E, depois, acabou por responder, inseguro, "umas dezenas milhões de euros"!!!...
Já várias vezes, no Parlamento, em vários debates, tinha ficado com a sensação de que o facto de Sócrates, frequentemente, não responder, não se deve a opção táctica mas, simplesmente, ao facto de não saber a resposta. Desta vez é também grave porque, ainda por cima, respeita a medidas que fez questão de anunciar naquela entrevista.


Essa é uma questão muito, muito séria no Portugal de hoje: o modo como se tapam os erros de uns, principalmente de um. Para quem não reparou, vale a pena ver as imagens outra vez. E, pelos vistos, houve muita gente que não reparou.

Espanha


Espanha em todo o lado: Euro -2008, primeira camisola amarela, por Valverde, na edição deste ano da Volta a França, e agora , por Nadal a jogar a final de Wimbledon. É obra.