As reacções que eu ouvi, ou li, ou me foram transmitidas, sobre as eleições directas no PPD/PSD, demonstram que é mesmo necessário proceder à clarificação do que aconteceu. E o próximo Congresso é uma ocasião adequada para o efeito.
Sobre as observações de Mário Soares, a propósito da tão significativa vitória de Luís Filipe Menezes, já disse o que tenho a dizer. Poderá saber do PS, mas nunca entendeu a natureza do PPD/PSD. Também Marcelo Rebelo de Sousa, que tanto se enganou nas previsões que fez, no próprio dia da votação, sobre o resultado das directas, demonstrou, mais uma vez, que tem dificuldade em entender como funcionam as "bases" do PPD/PSD.
Explicar o seu clamoroso erro de previsão, bem como a derrota de Marques Mendes, com o silêncio de Manuela Ferreira Leite, é absolutamente caricato. Então o próprio Marcelo não declarou, na Televisão, o seu apoio a Marques Mendes? Quem é que o próprio considera mais importante? Então e Leonor Beleza? E Alexandre Relvas? E a Comissão de Honra? Tantos, tantos, a quem chamam de notáveis! Foram tantos! Só que as "bases" votam em quem querem e ligam, essencialmente, ao seu instinto, ao seu juízo, ao seu sentimento. Especialmente, em alturas de crise.
Disse também Marcelo, que Mendes perdeu porque não "cortou" suficientemente comigo... De facto, é preciso já não se saber o que se há-de dizer. Então, e só por exemplo, o que se passou na Cãmara de Lisboa? Como já é praticamente unânime, a queda do líder cessante consumou-se com o "cataclismo" politico a que deu origem, naquela Câmara Municipal, com as escolhas que fez. Com o tempo, começou a ficar cada vez mais claro, que o PPD/PSD perdeu o Governo de Portugal e de Lisboa, muito pela convergência objectiva, de alguns, com os propósitos de Jorge Sampaio e do PS.
Hoje, não vale a pena continuar. Pacheco Pereira, e outros, já deram os primeiros sinais de que não aceitam o que se passou. Não aceitam que Luís Filipe Menezes tenha tido uma grande vitória.
É mesmo preciso ir ao fundo das questões. Com serenidade, com respeito, mas sem hesitações. É muito importante a unidade. mas a unidade sincera, sem hipocrisias nem equívocos. Só assim o caminho que vai ser trilhado terá uma base sólida. Quero acreditar que todos concordarão nesse roteiro: falar verdade, assumir a realidade e, então, construir a unidade.
P.S.- Já agora: HÁ MUITO que defendo a possibilidade de a votação das directas ser no Sábado do fim -de - semana do Congresso. Sabem-no bem muitos que trabalharam já comigo e que ouviram as respostas que me foram dadas, de que não era muito fácil, em termos práticos. Mas eu continuo a pensar que é a melhor solução.