quarta-feira, 5 de setembro de 2007

teimosia cara(continuação)

Continuando, de modo breve, e sem aprofundar, no tema anterior, é bom sublinhar que as contas a fazer sobre o que perde a economia Portuguesa, por causa dessas disparidades com Espanha, têm de incluir, pelo menos, as receitas do IVA, do ISP, do IRC, quanto às empresas que transferem a sua sede, e também o IRS quando as próprias pessoas mudam, mesmo a residência. E o que fica para o Orçamento Espanhol, não é, obviamente, só o correspondente à diferença de taxa, sobre um preço X, fosse ele qual fosse. É tudo o que se paga na liquidação que deixou de ser feita em Portugal.
Até uma distância de dezenas de quilómetros da fronteira, dizem outras estimativas, compensa ir a Espanha, abastecer os carros, incluindo os carrinhos de supermercado. Que sentido é que isto faz? Se o Banco de Portugal já publicou esse estudo de que falei no post anterior, que me desculpe o Governador Victor Constâncio, mas não o vi.Se não o tiver feito, insisto, é altura de o fazer.

Bagão Félix, contava-me, em 2004, quando estávamos no Governo, como Sarkozy já se insurgia, contra o que chamava de dumping fiscal,por parte dos Países da Europa Oriental, então, candidatos à adesão. Como é sabido, têm taxas, nomeadamente do IRC, altamente apelativas e que têm influenciado, em certa medida, deslocalizações de empresas. O que dizer, então, desta distorção fiscal, nomeadamente, em sede de IVA, com 5% de diferença na taxa de um imposto como o IVA?

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Notas Breves-teimosia cara

Este passado fim - de - semana, surgiu, na Imprensa, mais um interessante trabalho, sobre a ida de Portugueses que moram na zona fronteiriça - nos casos mostrados, Trás - os - Montes - ,para o lado de lá da linha raiana. Quando não vão para lá morar, levam para lá a sua actividade económica. Mas, especialmente chocante, é o caso,contado pelo "Diário de Notícias", do dono de uma gasolineira, que fechou, devido ao facto de os Portugueses, cada vez mais, abastecerem os seus veículos em Espanha. Segundo cálculos, citados pelo próprio jornal, só na zona de Chaves, estima - se que o Estado deixe de receber, no imposto sobre os produtos dessa área de actividade(ISP), cerca de 30 milhões de Euros.
Faça-se uma estimativa, com todas as zonas fronteiriças, com todos os produtos e transacções sujeitos a IVA e que, assim, passam a encher os cofres espanhóis. Sendo certo que cada 1% de aumento da taxa, com as devidas ponderações, representa actualmente,cerca de 468 milhões de Euros (estando 13.190.000.000 inscritos no Orçamento, como receita desse imposto), fará sentido manter esta disparidade com Espanha, prejudicando assim a capacidade da nossa economia e a competitividade das nossas empresas?
Não há quem faça ao Primeiro- Ministro as contas sobre os prejuízos que esta situação causa à actividade económica, mesmo pensando nas receitas fiscais ? O Banco de Portugal deve ter estas estimativas feitas!... Terá? E, se tiver, não as quer dar a conhecer?
A própria Galp, por exemplo, como salienta o próprio artigo, tem a avaliação dos seus prejuízos anuais. Mas não é só uma questão de números!...Estão envolvidos outros valores, questões de princípio em matéria de Soberania e regras relevantes de governação. Por exemplo,noutro plano bem mais impressionante, não chega já crianças Portuguesas irem nascer a Espanha?
Mesma que isso não incomode algumas sensibilidades, e só queiram saber de números, perguntem à Galp como chegou à conclusão de que, só por si,com essas diferenças de um lado para o outro da fronteira, perde 100 milhões de Euros.
Não há quem explique esta realidade?

Notas Breves-Diana

Ainda a propósito de Diana, ouvi hoje mais um debate sobre a sua vida. E lá veio a conversa de que manipulava a Comunicação Social. Coitados! Que ingénuos que são...Aquelas correrias de moto de tantos paparazzi,as compras milionárias de fotografias, era tudo forjado e instigado, porque os próprios não tinham interesse nenhum nisso. Coitados, nem ganhavam dinheiro nenhum. Era tudo grátis. Quando não era, certamente ofereciam o dinheiro a organizações de solidariedade.
Tanta falsidade, tanta hipocrisia. E como explicam tanto tempo que hoje lhe dedicam? Será instigado por quem?
Diana podia ter estes ou aqueles defeitos. Mas fez mais por quem precisava de ajuda, do que eles todos juntos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

DIANA;PRINCESA DE GALES

Hoje, que se completam dez anos sobre tão triste dia, quero evocar Diana, Princesa de Gales.
Basta constatar a autêntica avalanche de idênticas atitudes de pessoas, a título individual, órgãos de comunicação, sites, publicações da mais variada índole, cerimónias públicas ou privadas. Programas e programas de televisão, séries, documentários, artigos durante uma semana, inteira, com análises,excertos de livros, biografias. De tudo se viu e ouviu,p sobre alguém de quem tanto se falou, escreveu, disse, retratou.
De quem foi vítima, até que ponto o foi de si própria, é questão também muito tratada. Sabe-se que a sua vida já era inconveniente para muitas pessoas. E,quando assim é, a velocidade dos acontecimentos que passa a ser regra, quase torna inevitável que algo aconteça a essas pessoas tão seguidas, tão faladas, tão admiradas mas também tão contestadas.
Cada um tem as suas qualidades e os seus defeitos. O conjunto que caracterizava Diana de Gales, mais as circunstâncias da sua vida, tornaram-na uma personalidade absolutamente única. principalmente, naquela magia feita de uma luz especial e de um carisma magnético que a fazia cativar, bem fundo, só com o olhar.
Pude cumprimentá-la, uma vez, no Porto, no início do jantar da visita oficial dos Príncipes de Gales a Portugal, em 1986. De manhã, pude estar também na Missa celebrada na Sé do Porto, onde também estiveram os Príncipes. Celebrava-se a nossa mais antiga Aliança.
Diana faz falta,para além da sua família, a muitos que sofrem no Mundo e que ela certamente ajudaria. Agora ajudará ,de Longe.
Faz hoje dez anos, senti uma enorme tristeza. Peço desculpa a alguns seres quase perfeitos que escrevem ou falam em órgãos de comunicação, mas eu tenho muita pena de que Diana tenha partido.

ACORDO ESSENCIAL



O Acordo Ortográfico, que tive a honra de negociar politicamente e de assinar, em nome de Portugal,em 16 de Dezembro de 1990, em cerimónia realizada no Palácio da Ajuda, com os Ministros da Cultura (ou da Educação,no caso do Brasil) de todos os Países da CPLP, está, de novo, e cada vez mais, na agenda dos assuntos importantes para o futuro dos respectivos Povos.
Já lá vão mais dezassete anos desde que o actual Presidente da República, quando me convidou para o cargo de Secretário de Estado da Cultura,me atribuiu, como uma das principais incumbências, para além do projecto e instalação do Centro Cultural de Belém, a concretização do Acordo Ortográfico. Disse - me, já na altura, Aníbal Cavaco Silva, que no século XXI, a força da língua Portuguesa seria, muito, a força do Português, tal como é escrito e falado no Brasil. Não foi nada fácil esse processo e constituiu mais uma das polémicas e um dos fortes combates que têm marcado a minha vida política. O processo de ratificação encontrou alguns obstáculos,nomeadamente no Brasil e o assunto "congelou". Durante anos, infelizmente para Portugal, vários Governantes Portugueses deixaram o assunto fora das suas agendas,mesmo quando de encontros oficiais com Chefes de Estado ou Governos de outros Países membros da CPLP.Excepção seja feita à aprovação na Cimeira da Praia, em Julho de 1998, do Protocolo Modificativo que eliminou a previsão de um prazo- entretanto ultrapassado- para a entrada em vigor.


Em 1990, assinámos também acordos para a criação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, para a utilização do Português nas organizações internacionais e ainda sobre o vocabulário técnico-científico, tudo posssível graças ao laborioso trabalho da Academia das Ciências, sendo justo evocar o papel do Prof. Doutor Malaca Casteleiro, que tive a honra de ter a acompanhar-me na visita oficial que fiz ao Brasil, em 1993, a convite do então Ministro da Cultura António Houaiss, responsável também pelo novo Dicionário da Língua Portuguesa. Quantos debates acalorados tive no Parlamento e na Televisão, com representantes do forte movimento de oposição ao Acordo.

Por coincidências da História, quando tomei posse como Primeiro- Ministro, tive logo de tratar com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, António Monteiro, da Cimeira da CPLP, que teria lugar nesse mesmo mês de Julho de 2004, em São Tomé. As datas coincidiam, porém, com as do debate do Programa de Governo, no Parlamento, pelo que eu não poderia participar. Tive especial pena, entre outras razões, porque um dos temas que estava na agenda, desta vez por iniciativa do Brasil, e graças à visão do Presidente Lula da Silva, era exactamente o Acordo Ortográfico. Na sequência desse empenho colectivo, foi possível aprovar o relevante Segundo Protocolo Modificativo, que permitiu a adesão de Timor- Leste e determinou que o Acordo entraria em vigor após a ratificação, desse Segundo Protocolo, por três Estado-membros. O que já aconteceu,pelas ratificações do Brasil, de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe.
Em 7 de Setembro seguinte, tive a honra de ser o primeiro Chefe de Governo de Portugal a estar presente na cerimónia do desfile da Independência do Brasil. E nas conversações havidas, nesses dias, entre os dois Governos, o tema esteve presente, tendo renovado,nos termos que considerei adequados, o empenho político de Portugal na plena entrada em vigor desse Acordo.

Em 1990, era Presidente da República Mário Soares, que sempre assumiu a importância do Acordo. Aliás, foi o próprio, creio que em 1989, no 1º encontro de Chefes de Estado e de Governo dos Paíse de Expressão Oficial Portuguesa a convite do Presidente José Sarney, em São Luís do Maranhão, quem deu o primeiro impulso político ao Instituto Internacional da Língua Portuguesa, no âmbito do processo de criação da própria CPLP. Agora que está também na Chefia do Estado de Portugal, alguém que, já em 1990, tinha, sobre o assunto, a visão que acima referi, espero que existam condições para, de uma vez por todas, se dar este passo tão importante para a Língua Portuguesa.Em Outubro de 2005.após cimeira entre o Presidente do Brasil e o Primeiro-Ministro José Sócrates, foi emitido um importante comunicado, em que se reafirmava o empenho na entrada em vigor do acordo em todos os Estados da CPLP. A esse propósito, são igualmente de assinalar as palavras lúcidas do nosso Embaixador no Brasil, Francisco Seixas da Costa, na interessante entrevista que surge na edição de hoje do Diário Económico. Só fica menos clara nessa entrevista, a posição sobre o prazo da entrada em vigor. Mesmo com dificuldades editoriais, nos manuais escolares, ou outras, é preciso acautelar que não se caia na situação, politicamente incompreensível, de ser Portugal a protelar a entrada em vigor de tão importante Convenção.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

PREPARAR O FUTURO(continuação)


Volto a insistir na importância de haver debates entre os candidatos á liderança do PPD-PSD, pelo menos, nas duas Regiões Autónomas e em todos os Distritos do Continente. E que, nesse debate,se possa falar, com profundidade e abertura, do que aconteceu na história recente do PPD-PSD e das responsabilidades de cada um, e de todos, nas diferentes fases do nosso passado próximo. Não para atacar pessoalmente, não por criticar só pela crítica, não para falar do que é superficial ou mesquinho. Mas falar, isso sim, de quais as políticas que os nossos Governos levaram por diante. Por exemplo, os Governos de Cavaco Silva, entre 1985 e 1995, na altura crucial em que começámos a receber significativos recursos financeiros dos Fundos Estruturais Europeus, terão feita as opções mais correctas na política de Fomento e Desenvolvimento que levaram a cabo? E os Governos de Durão Barroso e o que eu liderei, terão feito bem em dar a importância que deram ao respeito pelo tecto dos 3% para o déficit orçamental, tal como mandava o Pacto de Estabilidade e Crescimento? E qual Governo, nos últimos dez anos, teve a política mais social-democrata? E qual foi mais liberal? E populismo, o tal pecado de que alguns tanto falam, esteve presente em que políticas, em que decisões, em que escolhas? Quais são as medidas de nos orgulhamos? E quais são aquelas de que no arrependemos? Baixámos o IRC no Governo Durão Barroso? E, afinal, agora, defendemos, ou não, o choque que anunciámos, em 2002, para os impostos que os Portugueses pagam? E consideramos mais adequado ou mais justo alterar primeiro o IVA OU, de novo, o IRC? Ou, como fez o meu Governo, alterar os escalões do IRS? Ou mesmo as taxas?Não fará sentido, que candidatos à liderança do maior Partido da Oposição, que deverão disputar o cargo de Primeiro- Ministro, provavelmente, daqui a menos de dois anos, façam saber as suas posições sobre estas matérias, e as debatam? Ou é indiferente e, depois, logo se vê?


Para continuarmos em temas óbvios, quanto ao arrefecimento da economia em Portugal, do primeiro para o segundo trimestre deste ano, nada a dizer? E Presidência da União Europeia, estamos de acordo em tudo? Não seria de falar na política de pescas? E quanto à política do Mar, para além do ganho territorial na nossa plataforma continental, nada mais a dizer, a sugerir, até a divulgar? Por exemplo, nas áreas da investigação e da fiscalização, essenciais nesse domínio? Aos meus alunos de Direito Internacional Público, quando a cadeira de Direito do Mar não faz parte do curso, procuro dar sempre as noções básicas dessa disciplina. Se deve ser assim em qualquer País, por maioria de razão o deve num País com a História e com a riqueza de águas territoriais que Portugal tem.


Ninguém tenha ilusões de que há, no PPD-PSD, muitas feridas por sarar. E essas feridas só poderão cicatrizar, se tudo for dito, olhos nos olhos. Se os assuntos forem pensados e falados com verdade, rigor, clareza. Por isso falei na hipótese de haver uma primeira parte do Congresso antes da votação em Directas. Mas se assim não for, não vale a pena continuarem juntas pessoas que têm muito mais a dividi-las do que a uni-las.


quarta-feira, 29 de agosto de 2007

PREPARAR O FUTURO(continuação)


Já falta menos de um mês para as eleições directas no PPD--PSD. Os temas que são trazidos das intervenções das candidaturas e as imagens que são difundidas das respectivas actividades de campanha, levam a concluir que, do modo utilizado até aqui, pouca utilidade se consegue para o verdadeiro esclarecimento de quem vai votar.

Num post anterior, tive ocasião de escrever sobre a importância que teria uma primeira parte do Congresso ter lugar antes da votação. Mas como já se conhece a rigidez das normas instrumentais face às substantivas, ou mesmo face a princípios e valores que importa salvaguardar, então, por que não organizar debates, entre os candidatos,pelo menos em todas as Distritais e nas duas Regionais? Se nas Legislativas, quem é candidato a Primeiro- Ministro, visita e faz comícios nas Regiões e em todos os Distritos, como explicar que não haja debates, frente aos militantes, com a possibilidade, devidamente organizada, de serem colocadas questões?


Estou certo de que tal caminho vai de encontro à razão pela qual se aprovou este método de eleição. Um debate, ou dois, na Televisão, não chega. Vejam, nos Estados Unidos, quantas sessões, por todo o País, para além dos inúmeros debates televisivos, já realizaram os candidatos à nomeação pelos respectivos partidos?

Independentemente da maior ou menor importância ou gravidade de cada um dos temas, não é a falar de plágios e de quotas, ou com notícias de assédios ou de fugas de elites, que os militantes se esclarecem para as decisões que são chamados a tomar. Em vez de andarem desencontrados a correr o País, em visitas que servem para umas declarações no final, organizem-se e, nestes trinta dias, vão debater em frente dos militantes.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Uma certa mentalidade

Este é o Walt Disney Hall onde Mariza vai actuar com palco desenhado por Frank Ghery. Dizia Mariza, numa entrevista recente, que Frank Gehry ficou apaixonado por Lisboa. Por isso, vão trabalhar juntos numa união que muito vai promover a Cultura Portuguesa. Mariza entende, Gehry entende. Em Lisboa, está feito o Casino. Entende-se. O Parque Mayer pode esperar.Se não fosse uma certa maneira de fazer política, estavam a esta hora a dizer ainda melhor do que já dizem do túnel do Marquês. Quem perde é Lisboa, são os artistas, é o público, é o turismo. É tudo, ao fim e ao cabo, uma questão de mentalidade.

A propósito do túnel do Marquês, aproveito para desfazer uma das maiores falsidades que se tentou propalar nos últimos tempos, quando viram o sucesso que foi, e é, essa obra. NENHUMA, repito, NENHUMA alteração foi feita no projecto e na obra, nomeadamente em termos de segurança, na sequência das posições do Vereador do Bloco de Esquerda. Sabem-no todos os que participaram nas reuniões da Comissão de acompanhamento da Obra do Túnel do Marquês: Vereadores, Directores Municipais e de Departamento da Cãmara, projectistas, consultores, empreiteiros, membros do gabinete de obra. É também uma questão de mentalidade: alguns, quando "entopem" com a realidade só usam a falta á verdade. e este sábado, no Expresso, um articulista, certamente mal informado, faltou várias vezes.

Também por causa de mentalidade, falemos um pouco de Desporto. A propósito do Porto -Sporting do passado Domingo, porque será que muitas equipas portuguesas só se "soltam" e começam a jogar o que sabem, depois de estarem a perder? Serão ordens? Mas, então, há muita gente a dar ordens dessas!...
E, já que estamos no tema, já repararam como Nani chegou a Manchester e se impôs, como dificilmente se podia esperar pelos assobios que ouvia cá e pelas criticas que eram ditas e escritas sobre as suas exibições? Pode ser que não mantenha o ritmo, o que seria bem natural, num jogador de quem se dizia, já em Inglaterra, que esta época não seria titular. Mas como explicar essa diferença de aceitação da parte do público, dos técnicos, da crítica? O que entusiasma lá, na Liga Inglesa, cá ,não chega para contentar?

É tão antiga esta mentalidade, em Portugal, de só se apreciar quem está fora ou veio de fora. E nem sempre, como se viu com Gehry, não desde o anúncio da sua possível contratação, mas mais tarde. Só que aí as razões foram outras. As tais, de uma certa maneira de fazer política.
TEXTO INTEGRAL DAS RESPOSTAS AO JORNAL DE NOTÍCIAS - ENTREVISTAS DE VERÃO-DOMINGO,2007-08-18(perguntas por Helena Silva)

Ser Primeiro-Ministro foi a fase menos divertida da sua vida?

R- Estar como Primeiro-Ministro é um permanente exercício de responsabilidade. Não é suposto fazer uma avaliação com base no critério que resulta da pergunta.
Uma campanha que com pouco tempo mais, ficará clara, quanto aos seus autores, quis convencer os Portugueses de que era outra a minha maneira de estar.Estão alguns a começar a responder em Tribunal.

Ao seu caso aplica-se o ditado: "Atrás de mim virá quem bom de mim fará"?

R- A comparação não tem sentido por várias razões. Eu assumi essas funções numa situação de emergência e não tive o tempo mínimo para ter resultados próprios, a não ser assegurar o respeito pelos nossos compromissos e garantir que 2004 fosse, como foi, um dos melhores anos desde o princípio da década.

Também acha que alguns dos episódios protagonizados por José Sócrates teriam sido inflacionados em termos mediáticos se tivessem sido protagonizados por si?

R-A sua pergunta já contém a resposta. Mas não compare só comigo. Conhece alguma Democracia onde não seja falado o local e o tempo de férias do Primeiro-Ministro ou Chefe do Executivo?
Veja Espanha, Itália , Inglaterra, França, Estados Unidos. Quem acompanhe, como eu a Imprensa desses Países sabe o que se tem passado durante estas semanas com esses líderes políticos. E o que é mais inacreditável é que exercemos este semestre a presidência da União Europeia. Estejam os serviços em Bruxelas mais ou menos de férias, nós não devíamos desperdiçar nem um dia.

Qual é o melhor antidepressivo para o PSD: Mendes ou Menezes?

R-O PPD/PSD tem de viver sem comprimidos. Não pode viver deprimido. É contra a sua natureza. Gosta de se sentir bem consigo próprio, de sorrir mesmo na luta. A campanha para as legislativas em 2005, mesmo naquelas condições tão difíceis, é inesquecível para os militantes e simpatizantes. São eles que o dizem quando me encontram, ou nos muitos mails e cartas que me enviam constantemente.

As eleições intercalares em Lisboa deram-lhe mais vontade de rir ou de chorar?

R-Sabe quando algo mexe tanto connosco que ficamos sem vontade de dizer seja o que for? Até agora ainda não me passou. Só digo que é algo sem precedentes: um partido ter o Governo do País e da sua capital e vários dos seus militantes fazerem tudo para derrubar ambos. Conhece outro caso?

Gostava de ter uma mulher com a personalidade de Ségolène Royal no seu partido?

R-Gostava que muito mais mulheres se interessassem pela política activa sendo iguais a si próprias.Se me pergunta o que penso de Segoléne Royal, apreciei mais o que fez até à fase pós –presidenciais em que, com ela e com o marido, houve demasiada confusão entre o que é a vida pessoal e o que é a intervenção política.

Que comentário lhe merece a dispensa de Dalila Rodrigues do Museu Nacional de Arte Antiga?

R-Tenho pena que não tenha podido continuar o seu bom trabalho.

Diz ela que "se é comum dizer-se que a cultura é de esquerda, a culpa é da direita". Concorda?

R-A Cultura nunca foi, não é, nem será só de “Esquerda”.Pensar isso é estar a falar de outro conceito e de outra realidade que não a Cultura.l Essa hipótese mais não é do que um absurdo.

O governador de Nova Jérsia, Jim McGreevy, planeou minuciosamente o sound byte "Sou um americano homossexual". O seu "Vou andar por aí" também foi calculado?

R-Não. Escrevi umas notas sobre o que queria dizer pouco antes de começar a minha intervenção nesse Congresso de Pombal. Mas a importância que sempre foi dada a essas palavras foi a melhor confirmação de que Churchill tinha razão quando disse que há várias vidas na política. Mas quando voltamos não nos podemos negar a nós próprios. Temos de saber muito mais e de demonstrar que aprendemos e tirámos as lições das vivências anteriores.

'Anda por aí' ou ainda está nas boxes?

R-Se vir a política como uma prova de Fórmula 1,é impressionante como cada vez se demora menos tempo a ir às boxes. Mas não se deve regressar á pista antes de o reabastecimento terminar. E deixar passar quem quer e pode voltar primeiro.

"Menino guerreiro" é a melhor definição que encontra para si?

R-Não. Nem pensar. Nem “Animal feroz”.

O piano é o sítio onde pendura a solidão?

R-Onde encontro serenidade e onde fortaleço a motivação. Sempre prometi a mim próprio que aos quarenta anos começaria a estudar piano. Estudei anos iniciação musical na Fundação Gulbenkian desde os cinco anos .E depois mais outros quatro anos estudei violoncelo. As aulas de solfejo com a Professora Vitória Reis facilitaram a leitura das músicas que tenho aprendido a tocar.

O whisky é, como dizem, o melhor amigo do homem. Ou são as mulheres?

R-Bebidas, o melhor amigo? Nunca. Sempre bebi muito pouco. Quanto ás mulheres, em amizade, há de tudo .Como com os homens.

A esta distância, sente que foi demasiado benevolente com Durão Barroso, no seu livro "Percepções e Realidade"?

R-O melhor critério para avaliar a boa fé daqueles com quem partilhei esse período é o seu comportamento posterior. Não tenho razão para mudar o meu pensamento sobre Durão Barroso.

Tê-lo escrito quer dizer que tem boa memória ou que tem um Diário?

R-Dizem que tenho memória de elefante. E tomo muitas notas sobre aquilo de que não me quero esquecer. Mas faço-o, muitas vezes, à frente das próprias pessoas.

Sentiu-se pacificado depois da sua publicação?

R-Senti. Mesmo. E por ter constatado como falharam rotundamente todos os que se preparavam para o tentar descredibilizar , tentando equipará-lo a outro(s) de estilo e propósitos bem diferentes. Mas o livro estava muito assente numa fundamentação rigorosa. Como não o conseguiram desmentir, calaram-se. Teve quatro edições ,até agora, e hão-de reparar como apesar de ter vendido, em dois meses, quase vinte mil livros, deixou de aparecer…

Praia é na Figueira da Foz ou no Algarve?

R-A Figueira da Foz tem várias e bonitas praias, não só a da Claridade ou a de Buarcos. Quiaios, Cabedelo, Lavos , Leirosa,por exemplo.Como o Algarve tem muitas e distintas. Quer as da Figueira, quer as do Algarve, são imperdíveis.

Qual é o seu prime-time de um dia em férias?

R-Férias são férias. Não há nem prime nem second-time. Mas a hora do jantar tem um sabor especial.

Defenderia para Portugal a hora da sesta espanhola?

R-Defendo que a produtividade passe a ser cada vez mais prúxima da á de Espanha.Nunca mais deixamos a casa dos 60% da média da União Europeia.

Os desfiles de moda são um happening que visita por cordialidade ou é um fashion victim?

R-Nem uma coisa nem outra. Gosto, mas não obedeço às modas. Embora faça por as conhecer. E, se me distraio, há sempre quem me informe. E respeito quem se esforça por se impor num sector que, num País como Portugal, tende a dar mais valor ao que chega de fora das nossas fronteiras.

Notas Breves




Depois de horas de escritório, com o normal de telefonemas, articulados e minutas de contratos, registar a lembrança de sempre. Quem não conhece estas vistas, tem o dever de as procurar, logo que possa. Quantos Lisboetas,por exemplo, desconhecem estas paragens, este enlace entre a serra e o MAR. Serra chamada da Boa Viagem e que proporciona, nos seus vários miradouros, vistas únicas.



Entretanto, as notícias que chegam da Assembleia do Bcp, são, pelo menos, insólitas.



As que se conhecem da exposição de Sarkozy aos Diplomatas Franceses, sobre a política externa da França, parecem confirmar uma nova era. Pensamento próprio, nomeadamente sobre o calendário da saída das tropas estrangeiras do Iraque, mas, simultaneamente, consciência da importância dos laços com os Estados Unidos da América.



E, já agora, nenhum líder da Oposição, em Portugal, reparou na desaceleração da economia Portuguesa do primeiro para o segundo trimestre? Onde se anunciava já um ritmo de crescimento nos 2%, agora voltou-se aos1,6%? Ou repararam, falaram e não tiveram espaço noticioso? Em qualquer caso, é mau. E COMO PORTUGAL PRECISA QUE SE FALE MAIS DESTES TEMAS.