terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Príncipe Carlos

Já há uns dias que estou para salientar a interessante série da BBC, exibida na SIC Notícias, sobre o trabalho desenvolvido pelo Príncipe Carlos. Nas áreas do Património edificado, do Ambiente e recursos naturais e da Protecção social, entre outras, foi bem útil a informação mais precisa sobre o labor do Príncipe de Gales e das muitas instituições que dirige. Foi também possível ficar com uma ideia mais próxima da sua personalidade, nomeadamente, da sua persistência e do modo como a emprega na sequência que dá às causas em que acredita.
Como é sabido, há muitos anos que o herdeiro do trono inglês defende, de modo ousado, causas às quais o Mundo vem dando mais e mais atenção.
Quem teve oportunidade de seguir este documentário terá certamente ficado agradavelmente impressionado. Ainda bem. São precisos bons exemplos da parte de pessoas que podem fazer algo pelos outros e não se ficam por palavras, dando o que podem para se conseguir melhorar este Mundo.

10 comentários:

Alquimista Real disse...

Não há dúvida que foi um grande documentário acerca de Sua Alteza Real o Príncipe de Gales. E serve também para mostrar a certas pessoas que não acreditam que a realeza também trabalha e também se preocupa com as pessoas que a rodeiam e que ao mesmo tempo compõe uma nação.

Adão Mascarenhas disse...

Boa tarde.

Pura obrigação do personagem, pois ele e cada membro da família ficam, ainda assim, imensamente caros aos contribuintes britânicos.

O que é de realçar é que tais actividades estavam até há pouco rotuladas ao nível de quermesses e chás de caridade, e agora sucedem como acções prementes e de vanguarda reorientadas pelo foco da história.

Esperemos que esta ribalta para tais acções tenha consequências mais perenes, sólidas e à altura das expectativas em torno de si geradas.

João Luís Sobral disse...

Boa tarde.

Ainda me recordo do espectáculo de frivolidade (nada gratuita, diga-se en passant!...) que resultou dos festejos de aniversariante do pretendente ao trono da velha Albion vai já para alguns anos.

O infante pretendeu festejar o aniversário com um mergulho no ártico, o mais próximo possível da localização geográfica do Pólo Norte... Desejos míticos a preços míticos quando se contabilizou o quanto custou à Royal Navy tal capricho de um seu oficial, que só por manifesto acaso era este mesmo príncipe Carlos...

E como ele se chocou quando foi informado nos começos do consulado de Blair, que a sua anuidade se ficaria, doravante, por uns módicos 800.000 mil contos (4M € tout de même!...). Nem a Aston Martin, ao tempo, o conseguiu consolar ao disponibilizar-lhe dois dos seus luxuosos modelos automóveis, à escolha, por ano: um refinado coupé para o tempo mais frio, e a versão «volante» (descapotável) para as amenidades próximas do «bees day»...

José Carlos Palma disse...

Boa Noite

Realmente fiquei supreendido com a personalidade e trabalho do Príncípe de Gales. A forma como intervém em assuntos que vão desde os conselhos aos agricultores para a não utilização de uma agricultura com químicos, até á resolução de problemas urbanos na Jamaica. De facto mudei a minha opinião sobre Carlos. Penso que o Reino Unido só tem a ganhar com a participação activa dos membros da Casa Real. Mas o mais impressionante é que a simplicidade da acção é eficaz, ultrapassando as do próprio governo inglês. É uma questão de ideias, de pensamento de agir. Os nossos políticos republicanos deviam pôr os olhos neste exemplo, a aplicação prática da política, o unir vontades na diferença em prol do melhor. Isso sim é a política o olhar para o próximo, o buscar de soluções o ouvir, o descer ás realidades existentes. Por isso fiquei muito agradado com este documentário que mostrou o Homem para além do Homem. Por favor aprendam!
Cumprimentos
José Carlos Palma

Valdemar Cunha disse...

Um esclarecimento para o Sr. Adao Mascaranhas:

A Familia Real Canadiana custa-me anualmente CAD $ 1.68 - valor que sai dos meus impostos e que eu tenho todo o prazer em contribuir.

The Canadian Royal Family includes Her Majesty Queen Elizabeth II and HRM Prince Charles.

miguel vaz serra disse...

Dr.Santana Lopes
Não fazia a mínima intenção de comentar fosse o que fosse deste comentário seu porque não havia nada a comentar.Se pudesse escrever como o Senhor,era precisamente o que diria.Li no entanto o comentário de Adão de Mascarenhas e gostaria de fazer um breve.
Carlos de Inglaterra não é Príncipe porque quis um dia ou sonhou ser,é-o porque nasceu dum útero real.Problemazito genético,creio até dos problemas genéticos mais antigos do mundo.Portanto ser Carlos de Inglaterra não aporta obrigações algumas de atitude nem feitos,é-se.
Grande coincidência é sim,esse Senhor ter vontade de fazer alguma coisa pelo mundo e tem sido ao longo destas últimas décadas umas das pessoas que mais utilizou as influências genéticas para trazer á luz os problemas ecológicos que agora estão tanto na baila por interesses políticos e eleitoralistas.Agora é bem ser ecológico e ganham-se votos por sê-lo!Carlos de Inglaterra não necessita votos para ser Príncipe de Gales,nem necessitará de votos para ser Rei um dia.É-o."Nasceu-o"! Portanto tudo o que tem feito esse Senhor na vida,tem sido por amor á causa e sem interesses,políticos,monetários ou eleitoralistas,nenhum dos três faz parte da agenda.Assim fossem todos os Príncipes das casas reais europeias.Não há um único britânico que não queira a família real onde está ou que se queixe do que paga á coroa,porque eles mesmo [ família real ] são a maior fonte de receita turística do Reino Unido.Não sou família,nem monárquico mas vivo ligado ao Reino Unido faz muito muito tempo....sei do que estou a falar.........

gonçalo silva disse...

Não me surpreende que tenha gostado do programa que também assisti. Aliás, a sua ideia de descentralizar serviços do estado é um factor fundamental para combater a desertificação do interior território.

Através da The Prince's Foundation, Principe Carlos tem promovido um urbanismo sustentável, com mais equidade social e mais humanista.
Infelizmente este modelo tem sido bastante marginalizado, um movimento injustamente considerado como sentimental e nostalgico.
Mas esta observação é feita através de conceitos de uma ideologia Modernista, (quando afinal esta sim histórica), este movimento imprudente promoveu a ruptura e discontinuidade da experiencia humana na cidade e na paisagem.

Através da sua fundação o Principe Carlos tem procurado restabelecer praticas e metodologias intemporais no planeamento, no desenho urbano e na arquitectura (built environment) mais sustentáveis em termos sociais e ambientais.

http://www.princes-foundation.org

Adão Mascarenhas disse...

Uma observação a Valdemar Cunha.

E no entanto os rácios de diferença de custo de um regime presidencialista para uma monarquia são inegáveis em desfavor da monarquia.

E por certo lhe ocorreu já a benfeitoria que poderia ser feita, a quem mais precisa, com as avultadas somas que envolvem a manutenção de um status quo monárquico.

Bem como compreenderá que a família real britânica não se fica, para os contribuintes britânicos, por Isabel II e Carlos de Gales. Ainda se tal contributo fosse optativo...

Inês Dentinho disse...

Ao leitor Adão Mascarenhas esclareço que as contas sobre as despesas dos regimes republicanos versos os monárquicos, estão feitas. Por exemplo, a Presidência francesa custa 14 vezes mais do que toda a Família Real espanhola. Em Portugal, com este costume de o Estado ser republicano feroz, sustentamos actualmente quatro Presidentes da República apesar de apenas um estar em funções. A juntar ao preço das eleições e ao sustento dos palácios da Chefia do Estado pelas Finanças públicas (ao contrário do que acontecia durante a nossa Monarquia Constitucional)pode concluir que a República é bem mais dispendiosa do que a Monarquia.
Quanto a outras vantagens: há muito que connheço o trabalho do actual Príncipe de Gales que soube encontrar na defesa dos valores que permanecem - como o ambiente, o patrimómio britânico, a coesão social ou os laços entre as parcelas do antigo Império - um sentido que transforma a espera do trono em serviço público. Mas a imprensa vende mais quando o deprecia e/ou ignora o trabalho realizado.
Também em Portugal, o Duque de Bragança tem defendido causas que permanecem para além da efemeridade eleitoralista dos Chefes de Estado da República. Foi rigorosamente o único português com responsabilidades públicas que continuou a bater-se pela causa timorense depois de invasão da Indonésia na década de 70; o mesmo fez e faz pelos direitos do Povo de Cambinda; pelo apoio às populações da Guiné; pela divulgação do ensino da língua portuguesa nos países lusófonos; pela defesa da vida, do ambiente e do património. Fá-lo sem fausto nem quebras. Mas, tal como no Reino Unido, as pessoas só irão reparar no seu trabalho quando uma cadeia de televisão resolver mudar de agulha na abordagem à sua intervenção.

António da Cunha disse...

Boa noite Dr. Santana Lopes.

Li com alguma curiosidade o seu post sobre o Príncipe Carlos e os comentários de outros leitores.

Duas ou três questões ressaltam deste breve debate electrónico:

1º - O trabalho político e social de membros da Família Real apesar de muitas vezes simbólico (para a maioria da população e dos críticos) é na verdade um trabalho discreto, persistente, pessoal e desinteressado, e muitas vezes anónimo no sentido de apoiar o que pode ajudar a comunidade de todo um país com esperança e coragem! As causas dos príncipes, ainda que muitas das vezes pareçam "exóticas" e impossíveis, são causas de esperança... sempre, porque neles reside sempre essa esperança de um dia melhor para todo um povo! Não digo com isto que não haja presidentes com causas válidas - recentemente o ex-Presidente filandês, foi agraciado (e bem) com um prémio nobel da Paz - mas o presidente não encarna o país, a nação, a identidade, um ser que se conhece frágil desde os primeiros dias, pelo qual nos "enamoramos" e que vemos crescer em tamanho e personalidade pela vida fora, contribuindo com a sua vida para a vida de milhões de tantos outros seus concidadãos.

2º O debate República vs Monarquia ainda se encontra enredado de muita contra-informação... de fantasmas e esqueletos no armário...! O debate deveria ser centrado naquilo que realmente interessa ao bem comum das pessoas: É-nos mais útil uma república, tal como a conhecemos, ou uma monarquia como existe na totalidade dos países ocidentais que a possuem (Europa e Commonwealth)? Face ao que é observado no actual estado da vida sócio-económica e política, parece-me que um Rei ou uma Rainha traria um novo fôlego a este nosso país...!

3º É de sublinhar o interesse e a pertinência deste post vindo do Dr. Santana Lopes, principalmente porque na classe política a questão da realeza é uma questão tabu para muitos políticos, não só para os que se dizem republicanos, mas também para os que sendo monárquicos não assumem como tal no seio dos seus partidos, de uma forma enérgica e determinada! Mas se calhar também não é dessa geração de "monárquicos" de que estamos à espera...! É d'El-Rei... e Ele (ou Ela) virá!

Já agora Dr. Santana Lopes, qual é a sua posição? Monarquia ou república?