sábado, 21 de fevereiro de 2009

Desfaçatez

As notícias sobre a venda de imóveis do Estado à empresa pública Estamo, imóveis esses depois arrendados pelo próprio Estado, de modo a diminuir o montante do deficit, são esclarecedoras sobre o descaramento reinante. Será que o Banco de Portugal já iniciou o processo de análise a estas receitas fictícias, a estas operações de engenharia orçamental?
É absolutamente extraordinária a desfaçatez com que se diz uma coisa e se faz outra. Lembram-se de tantos discursos, cheios de indignação, sobre decisões propostas por Ministros como Manuela Ferreira Leite e António Bagão Félix, forçadas pelo procedimento por déficit excessivo, levantado pela União Europeia, na sequência da situação orçamental deixada pelo Governo de António Guterres? E, afinal?
Ainda por cima, quando as exigências já não eram tão severas!...

6 comentários:

Jorge Dinis disse...

O verdadeiro problema está nas pessoas aceitarem este tipo de "vigarices", agora denominadas "engenharias financeiras".
Mas, na verdade, a divida publica aumentou e continua a aumentar.
A verdadeira solução está em acabar com este tipo de gestores, retirando-lhes, com os instrumentos da lei, de forma célere todos os ganhos que obtiveram com a sua gestão.

António disse...

Boa noite.

A principal diferença é que, ao que tudo indica, estes imóveis não foram vendidos ao desbarato como sucedeu num passado recente.

Também seria demais, mesmo para o estado português, cometer em tão pouco tempo o mesmo erro...

joyce disse...

Dr. Pedro Santana Lopes

"No ano passado, o Estado encaixou quase €147 milhões de euros com a venda de nove imóveis à empresa pública Estamo, os quais estavam avaliados em €129,6 milhões. Os números foram divulgados na semana passada pelo Ministério das Finanças, na lista de alienação de imóveis de 2008, e representam uma 'inflação' de 13% no valor da venda.
(...)
Esta empresa pública, do universo da Parpública, foi a grande compradora de imóveis do Estado no ano passado, No total, gastou quase €300 milhões dos €332 milhões arrecadados com as vendas. Estas receitas, que representam cerca de 0,2% do produto interno bruto (PIB), ajudaram a reduzir o défice em 2008"(...)"

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/498134

É caso para dizer:

"Tem telhados de vidro, mas atiraram pedras a outros"

É o socialismo no seu melhor!

Anónimo disse...

A diferença está nos negócios.
O PS sabe fazê-los bem, está bem de ver. Veja-se o caso das compras imobiliárias do Sr Primeiro Ministro. É evidentemente um homem que percebe de imobiliário.
O PSD não percebe nada destes negócios e portanto governou mal.
Pronto é mesmo assim.
Quem não sabe é como quem nunca o vai ver.
A política é fácil quando mantemos uma mente estúpida e simples.

João Campos Diniz

Anónimo disse...

Achei piada ao "António"... Parece que anda muito informado sobre o que se passa sobre vendas ao desbarato e ao descaro. De gente descarada estamos "bem servidos".

A questão é que as engenharias financeiras e receitas extraordinárias para compor o défice era um crime de acordo com o actual PM e sua companhia. Passou a ser melhor assaltar os nossos bolsos... No entanto, como bons "chicos espertos" que sabemos que são, continuaram a usar todas as formas possíveis de compor o défice... Para continuarem a gastar à tripa forra!

Dina disse...

Caro Dr Pedro
Nunca me repugnou o facto de serem vendidos os imóveis do Estado desde que não fossem necessários ao Estado .
Isto é válido para todos os quadrantes de Governação.
São receitas extraordinárias sim senhor, que se levam ao orçamento, tendo por contrapartida a baixa dos seus activos imobilizados.
Não vejo mal nenhum !!!
Outra coisa é venderem-se imóveis que são necessários ao Estado e depois ter que se pagar renda por eles. Isso é aviltante e denota gestão ruinosa. Primeiro , porque podemos imaginar o valor das rendas que devem ser carísimas e segundo porque todas essas rendas vão aumentar consideravelmente as despesas do Estado e agravar-lhe o deficit.
Acresce o facto de no meio disto tudo não se conhecer a dimensão do negócio da Estamo, ela propria um activo financeiro do Estado.
Não sabemos por exemplo se, por sua vez, com a venda desses mesmos imóveis no mercado, gerou ou não lucros.
Outro sim, se as avaliações dos imóveis obedeceram aos novos critérios de avaliação , de forma a saber-se se foi um negócio válido ou simulado.
Mlhs Cptos