sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

LONGE DE MAIS

Continuando no mesmo assunto, cabe perguntar: quem é que não se importa com a tal transferência directa do presidente e dois administradores da Caixa para um banco rival? O accionista do banco de onde saem, ou os accionistas do banco para onde vão? Se são rivais, como diria M. De la Palisse, não podem ser defendidos os interesses de ambos, ao mesmo tempo, pelas mesmas pessoas!... Em várias ocasiões os interesses serão conflituantes e decisões terão de ser tomadas. Naturalmente que o provável novo Presidente do B.C.P., pessoa bem formada, só poderá decidir por quem vai passar a representar. Ou seja, por vezes, contra a Caixa... E o Estado não se importa? Estado recorde-se, accionista único da Caixa Geral de Depósitos.
Sinceramente, julgo que desta vez exageraram e quem decidiu este caminho "deu um passo maior do que a perna"!... Desta vez foram longe de mais. O Estado só poderia estar tranquilo se estivesse convencido de que os novos administradores do B.C.P. nunca se atreveriam a decidir contra os interesses da Caixa. E, admitir isso, seria pôr em causa a boa - fé e a integridade dos indigitados.
Bom senso, precisa-se. É preciso que os passos a dar, de ora em diante, contribuam para repor parte da confiança que foi seriamente abalada por esta sucessão de acontecimentos.

5 comentários:

Bruno Maia disse...

O Governo só está tranquilo depois de distribuir os tachos todos aos do partido.

Abraço

monárquico disse...

sr. Santana Lopes: os indícios são mais que evidentes que este caso é mais profundo do que a espuma dos média ou as lutas silva pereira versus gomes da silva!A situação vai andando de pantano para buraco sem fundo!O sr escreve o máximo correctamente politico apesar dos seus conselheiros darem- lhe a boa informação.

JCR disse...

Vamos tentar ver o que está em causa neste assunto, onde a nomeação do ex-presidente da C.G.D para a administração do BCP é talvez a ultima tentativa para evitar que o maior escândalo no sistema bancário português, depois do caso Alves dos Reis, chegue aos tribunais.
Falhando esta nomeação toda a banca corre perigo de sérios problemas, logo por arrasto o Governo. A nós portugueses resta-nos de uma maneira ou de outra pagar a conta.

De forma simples e crua, em linguagem para que todos percebam.

O que temos:

Um banco que se apropriou de forma ilegal de parte dos depósitos dos seus clientes e o transformou em capital próprio.

Uma administração que só encontrou uma forma de resolver o assunto, dar todos os anos como prejuízo uma parte do dinheiro apropriado.

Dois grupos de accionistas com posições diferentes. Um que não participou no aumento de capital, logo não despendeu o seu dinheiro a comprar acções sobrevalorizadas, e o outro que gastou o seu dinheiro a comprá-las.

Duas entidades reguladoras e de fiscalização que olharam para o lado durante anos na esperança que a administração do banco resolve-se o problema discretamente.

E um segredo que afinal todos no meio sabiam mas que não interessava falar, só eventualmente aproveitar. O que aconteceu com a OPA.

Consequência:

Aquilo que parecia ser o apego ao poder, e até confusão entre ser dono e gestor, afinal não passa de uma luta pela sobrevivência. A história está cheia de “génios da banca” que acabaram na miséria.

O segundo grupo de accionistas corre pela necessidade de criar uma situação onde o Governo sinta que está em risco, intervenha e lhes garanta a recuperação do capital investido. À troca oferecem o silêncio e tempo de espera.

O interesse súbito das entidades fiscalizadoras em encontrar uma solução para um conflito é só uma luta pelo sua própria continuação e manutenção dos lugares dos seus responsáveis. Logo vale tudo.

Por ultimo assistimos à chegada da “Oposição ao Governo” a reivindicar uma parte para si. Já que a caça está fraca porque não aproveitar?

Se ainda existe alguém que não percebe aconselho a leitura de uma obra de referencia sobre o assunto: “John Kenneth Galbraith, MOEDA, Das suas origens à economia contemporânea, Editorial Presença, 1999”.

JCR

henrique disse...

ou então uma outra tese para futuro;uma "fusão bancária". apesar de ela quase existir. Na banca(s) cada um deles (privado e público) tem diferentes percentagens de acções dos seus "rivais". Enfim fica tudo entre "amigos".

Ricardo Araújo disse...

Boa tarde Dr. Pedro Santana Lopes, penso que sobre este assunto muita tinta ainda vai correr, pois isto é o início de um longo processo.

Daqui em diante é que vão começar a surgir os verdadeiros problemas, porque até aqui a única coisa que aconteceu foi a passagem de uns directores de um banco para o outro, mas daqui em diante vamos ver esses mesmos senhores a começar e muito bem a mostrar serviço perante o novo patrão, sendo que para isso contam com a sua vasta experiência no banco rival e dessa experiencia vão tirar o máximo de proveito dos conhecimentos que ali adquiriram em termos de segredos de gestão, porque como se sabe as finanças são todas iguais, mas cada instituição tem os seus segredos de modo a chegar ao topo do sucesso, mas ainda por cima vamos ver os melhores clientes da C.G.D., a fugirem para a banca privada.

Se isto é prestar um bom serviço ao povo, já não sei o que é gerir, mas penso que até o mais humilde merceeiro, faria melhor.

Temos que ensinar a este Governo o caminho da saída, outra coisa este Governo não merece, pois quem não sabe gerir uma coisa destas que é tão básica, não pode estar a frente dos destinos deste País.

Mas não chega dizer, que foi dado um passo maior do que a perna, tem de se dizer que isto é a maior aberração que já se viu em toda a história das economias mundiais, foi um tiro nos dois pés e mais uma vez espero não ver os portugueses de braços cruzados sem fazerem qualquer coisa que seja contra este Governo, liderado por José Sócrates.

Gostaria também de ver uma resposta dada por V. Exa. no parlamento, com toda a sua isenção, chamando para audição todas as pessoas envolvidas neste escândalo financeiro, pois por parte de alguns dirigentes do seu partido outra coisa não lhes interessou a não ser as futuras nomeações para a liderança da C.G.D., o que por mim tornou-se num episódio não menos macabro do que o anterior

Um grande abraço, cordialmente.
Ricardo Araújo.