quarta-feira, 20 de julho de 2011

Notas várias

1- Será verdade o que circula pela net quanto ao que se passa em Guimarães Capital Europeia da Cultura?
2-Na reunião de hoje da Câmara de Lisboa, mais uma vez, defendemos a criação da freguesia de Telheiras bem como, claro, da freguesia do Parque das Nações.
3- Perguntei a António Costa qual a razão que o impede de convencer o PS da Câmara de Loures para resolver essa questão da Freguesia na Expo. Consegue entender - se com o PSD Distrital de Lisboa e não consegue com o PS de Loures?
4- Cerca de 20 nomes de Santos ou de outras Figuras da Igreja Católica desaparecem das designações de Freguesias em Lisboa. Por exemplo: Nossa Senhora de Fátima e São Sebastião da Pedreira dão origem a uma nova Freguesia chamada Avenidas Novas.
5- Ponto essencial: porque não foram ouvidas as Assembleias de Freguesia? Foi respondido que a Assembleia da República terá de as ouvir. .. Pois! Mas se a Autarquia de Lisboa decidiu tomar uma posição sobre matéria que tem de ser o Parlamento Nacional a decidir, então, deveria, por maioria de razão, ter feito o que a Lei obriga: ouvir os órgãos representativos das populações.

28 comentários:

MARIA JOSE FERREIRA disse...

Não entendo...
Há coisas tão sagradas,como o nosso nome e características próprias como é uma Freguesia,porquê mudar o nome??
Até porque S.Sebastião da Pedreira é mais o Bairro Azul,nunca as Avenidas Novas.
As mudanças são ´muitas vezes desajustadas e vão baralhar as pessoas com tanta mudança.

Hugo Correia disse...

António Costa delega poderes nos seus interlocutores sobre matéria tão importante e sensível, em alguns casos, contra a sua própria opinião. Fantástico! Tolerante sim, aberto a outras opiniões sim, flexível sim, capacidade de reunir consensos(?) sim. Mas, fazer aprovar uma proposta que não concorda em absoluto e até simpatizar e concordar em alguns pontos com outras que não foram a votação é, no mínimo, estranho. O Presidente não alimenta um "sonho" para a cidade? Delega a terceiros? Então os lisboetas não o elegeram para ser um decisor convicto no que melhor defende os interesses da cidade e dos seus munícipes? Continuo a achar que a reforma administrativa defendida pela maioria e Distrital de Lisboa do PSD foi feita muito a régua e esquadro, ou seja, como não deve ser.
De mau tom o apelo(iluminado e superior) para deixar de se socorrer à memória. Ora essa...

«A conduta sábia apoia-se em dois eixos, o passado e o futuro. Aquele que possui uma memória fiel e grande clarividência está livre do perigo de censurar aos outros algo que ele próprio tenha feito, ou de condenar uma acção praticada num caso semelhante e em toda e qualquer circunstância em que ela, um dia, se lhe torne inevitável»

La Bruyère, Os caracteres

Anónimo disse...

Seria também interessante sabermos motivos da reestruturação dá a sensação que agora todas as actividades de outros vereadores cruzam com o Vice Presidente?
E já agora a contratação de novos assessores?

mil disse...

Caro Pedro: como explica que a tralha do PSD, que ainda pulula pelas autarquias de Lisboa, esteja a fazer/apoiar moções contra a restuturação do Carreiras, com quem estão (?) na distrital?

Digo já que não são seus amigos -aliás diziam de si o que os xuxo-comunas não diriam, porque não são tão baixos.

mil disse...

Caro Pedro: como explica que a tralha do PSD, que ainda pulula pelas autarquias de Lisboa, esteja a fazer/apoiar moções contra a restuturação do Carreiras, com quem estão (?) na distrital?

Digo já que não são seus amigos -aliás diziam de si o que os xuxo-comunas não diriam, porque não são tão baixos.

asmodeux disse...

Freguesia filhos d'iglesia já era bastante limitativo em termos de estado laico

deviam ter sido mudadas em 1911 para
Resguesias

Quanto a São Sebastião da Pedreira ficar com um nome de Avenidas Novas
acho mais ou menos

é um bocadinho de falta de imaginação
ou talvez imaginação a mais porque até os nascidos no hospital particular de Lisboa já ultrapassam as 5 décadas de idade
assim como as ditas avenidas

mas com São ou sem Santa não se perde assi um grande património..

de resto achar a junta de freguesia de São Sebastião da Pedreira era o cabo dos trabalhos há uns anos

já a do Lumiar vê-se de longe...

para o serviço que prestam
carimbar a papelada de desempregados

e encher de papelada o pessoal

são anacronismos

e isso de lhes chamar poder local
só funciona em locais com uns centos de pessoas

são como o pessoal dos condomínios

poucos querem lá estar e desde que as coisas funcionem tanto nos dá quem seja o presidente da junta

ou mesmo que haja junta

por acaso já entrei numas 5 ou 6

Hugo Correia disse...

A propósito...

«Entre os anacronismos actuais inscreve-se ainda a divisão administrativa da Câmara de Lisboa, há mais de 50 anos com 53 freguesias. Existem Juntas com 300 Lisboetas outras com 80 mil. Isto é: trata-se de uma divisão absolutamente irracional que já está desadequada no tempo. Não é por mal. O único pecado está no desfasamento temporal. Sei que a cada freguesia corresponde uma identidade e uma história que devem ser tidas em linha de conta quando se olha para o mapa.
O número de habitantes não é o único critério, tal como a área em causa. Mas há casos em que são os próprios que não têm problemas em fundirem-se.»

Pedro Santana Lopes - "A CIDADE é de TODOS" (Julho 2009 - pág.86)

Hugo Correia disse...

"Sonho"

«Há tantas realidades escondidas em Lisboa que precisam de intervenção e do apoio da autarquia! Agora revejo, neste ano de 2009, quantos bairros sociais estão votados ao abandono e ao ostracismo. Por vezes, nas ruas, nos bairros de empresas municipais ligadas ao poder e que votam as zonas circundantes e as suas instalações, ao mais cruel desleixo.
Lisboa é uma cidade de gente que chega, de gente que parte, de gente de várias etnias e religiões. É uma terra de encontros para gente que vem à procura do seu «sol», atrás do sonho de viver num país da zona europeia, na busca de um abrigo ou de um refúgio. Foi, também, alcançada como uma terra de exílio, designadamente durante a Segunda Guerra Mundial.
Lisboa, cidade de acolhimentos.

....................

Hugo Correia disse...

[...] Também por isso as pessoas hão-de compreender que queira continuar o meu trabalho em Lisboa. Fui o primeiro presidente de Câmara a colocar como prioridade o repovoamento da cidade, a eliminação dessa chaga que nos atinge a todos, lisboetas. Ver o centro da cidade desvitalizado, com os prédios a cair é um espectáculo indecoroso e afrontoso. Essas fachadas escondem ainda o interior dos prédios, cada vez mais degradados, em zonas nobres de uma cidade tão procurada, com tanta história e tanta tradição patrimonial.
Tive ocasião de dizer (e de o fazer) que mais valia tapar os prédios do que ter as suas chagas à mostra. Lisboa tem de viver em reabilitação permanente. Há que conciliar, no governo da cidade, a tradição e a história com a modernidade. Saber cuidar do que é património e criar condições para estar à altura de competir, à escala ibérica, à escala europeia, à escala internacional.
Para tal, além de reabilitar, temos de criar nova cidade. São bem-vindos os projectos arrojados de arquitectos portugueses e de arquitectos estrangeiros. Lisboa é uma cidade que deve estar à altura do espírito ousado, criativo e destemido dos grandes nomes da história de Portugal que descobriram novos mundos. É a capital de um país que deu mundos ao mundo, como nenhuma outra o fez.
Uma cidade onde a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos prestam homenagem à capacidade de descobrir rotas marítimas globais não pode ter receio de ousar ser moderna. Há que saber chamar grandes nomes da arquitectura de Portugal, e de fora, para dar novas razões de atracção à capital do país. Mas a prioridade absoluta, a cultura permanente, tem de ser a da reabilitação, a de cuidar do que já existe, a de proteger o que tem história e faz parte do código genético de Lisboa.
Como tenho referido, a capital de Portugal perdeu muitos habitantes para os concelhos limítrofes, nos últimos 25 anos. Os últimos indicadores referem meio milhão de habitantes. Lisboa ganhará qualidade de vida quando as pessoas que aqui trabalham mas não conseguem aqui viver, possam encontrar uma casa no centro sem terem de andar, todos os dias, a entrar e a sair da cidade.
Lisboa precisa de sossego, de ordenamento e de organização no seu dia-a-dia. Exige que as coisas façam sentido na governação da cidade e que cada equipamento esteja onde deve estar e que não vá para um qualquer lugar, ditado por decisões precipitadas, só por quem gosta de sentir o vão prazer de decidir, mesmo sem fundamento.
Lisboa precisa de assumir esse desígnio colectivo, como um esforço único público e privado, de concluir a reabilitação do edificado. Tem de ser uma cidade exemplar do ponto de vista da preservação dos recursos naturais e do ambiente, da eliminação das barreiras arquitectónicas e de ter prédios amigos de todos cidadãos, independentemente das suas condições físicas. Lisboa não pode continuar com a vergonha de construir prédios onde pessoas que estão de cadeira de rodas não podem entrar na porta de casa senão ao colo por não haver condições para a sua mobilidade. É também no caminho da integração das pessoas que vivem em condições lamentáveis nos bairros sociais, estigmatizados por cores, que a Câmara de Lisboa tem de dirigir o seu trabalho. Assim, Lisboa será mais feliz.

....................

Hugo Correia disse...

[...] As pessoas sabem que tenho um caminho para Lisboa, que tenho um projecto de trabalho para Lisboa. Gosto da herança que recebemos dos nosso antepassados mas é preciso saber distinguir, nessa herança, aquilo que é bom, daquilo que é vício, e que deve ser afastado.
Esta rotina de inacção, o facto, por exemplo, de ainda não termos conseguido criar uma Autoridade Metropolitana para a gestão dos transportes ou na gestão dos recursos naturais e de uma política ambiental concertada com outros municípios, não faz sentido. Isso não acontece em tantas outras capitais europeias, como Madrid que há vinte anos beneficia dessa autoridade conjunta o que melhorou substancialmente a utilização da rede de transportes públicos.
Temos uma herança extraordinária, em termos de património, na organização de algumas áreas da cidade com cabeça, tronco e membros. Mas temos o vício de nos deixar vencer pela burocracia. Não sermos rigorosos na gestão do tempo, nomeadamente, no tempo da decisão. Temos de estar à altura da potencialidade que representa Lisboa ser capital de um país com um passado tão rico e, ao mesmo tempo, com pontos tão valiosos na Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa, na União Europeia e, também, com a Comunidade Ibero-Americana, por exemplo.

....................

Hugo Correia disse...

[...] Somos um país privilegiado ou, como gostamos de pensar de nós próprios, somos um país abençoado. Lisboa, protegida pelo abraço do Cristo Rei desde há cinquenta anos. Lisboa, protegida por Santo António, por São Vicente, pela Senhora de Fátima. Lisboa protegida pelo espírito de mulheres e homens fantásticos que foram dando sentido, conteúdo ímpar, às histórias que se foram escrevendo ao longo dos séculos. Lisboa com a Torre de Belém a banhar-se próximo de um oceano por onde tanto do mundo começou.»

Pedro Santana Lopes, "A CIDADE é de TODOS" (Julho de 2009 - págs. 192, 194, 195, 197 e 198)


(O título "Sonho" é dado por mim )

o cusco.......VERGONHA das portagens na via do Invante!!! disse...

De Freguesia em Freguesia viajei até Faro e para grande espanto meu, vejo o pior da política no discurso de Macário Correia sobre a Via do Infante.
Afinal era tudo fogo-de-vista contra o PS e Governo do marginal que está em Paris à procura duma secretaria de alguma Faculdade que abra ao Domingo.
Macário Correia era contra as Portagens, E COM RAZÃO.
Aquilo não tem pés nem cabeça por várias razões.
Começa pela ponte minúscula que Cavaco fez em Vila Real de Santo António com os biliões que lhe deram na Europa que está ligada directamente à Via do Infante, por isso nem há alternativa alguma. Isso de que a alternativa é a 125 é mentira. Repito, MENTIRA. É disso que estamos fartos em Portugal. De mentira. Os políticos em Portugal habituaram-se a mentir à descarada e como viram que nunca vão a Tribunal nem presos por engano deliberado ao cidadão, “publicidade” enganosa, e mentiras elaboradas nas campanhas, continuam a mentir.
Algum povo já viu isso e já não vai na conversa, mas os milhões de “lenços pretos” que ainda vivem acreditam em tudo, como acreditavam no Salazar, no “Paizinho” da Nação, e votam nos mentirosos.
Foi por isso que Sócrates ganhou duas vezes as eleições em Portugal. Em mais lado nenhum do Mundo esse tipo acabava os 4 anos da 1ª, quanto mais ganhar a 2ª.
Mas eu estava a falar a Macário Correia.
Deu força e com razão ao imenso movimento contra as portagens na Via do Infante e agora que o Governo mudou e é do mesmo Partido dele, já aceita.
Ora isso é lamentável, inaceitável e vergonhoso. Vai-lhe custar a Câmara. Isso é mais claro que água.
Eu voto num Partido e sempre critiquei os disparates que o Presidente do mesmo faz.
A Via do Infante não tem alternativa alguma. A entrada desde Espanha, como já disse, é directa à Via. Não há como fugir ao pagamento e os Espanhóis já disseram que vão deixar de vir ao Algarve deixar o dinheiro deles. Que era só o que faltava pagar 70 euros por um dispositivo que se tem que pôr no carro e depois pagar ainda mais por um asfalto cheio de buracos, feito com argamassa, cimento e perigosíssimo.
Não é uma auto-estrada e o piso é uma porcaria.
Eu vou sempre a 90/100 com medo de partir o carro.
A 125 desapareceu há décadas. Hoje em dia é uma Rua. Tem casas de um lado e outro, semáforos cada troço e não se pode andar a mais de 50km/h e não os 90 das estradas normais.
Podemos portanto ver quanto se demora de Faro a Albufeira, por exemplo.
Pela via do Infante demora-se 25 minutos e pela Rua 125 tardam-se 4 horas.
É lamentável que os Presidentes das Câmaras, do PSD, virem agora a casaca e a cara a um povo que os votou e acreditou na sua palavra. Albufeira também virou casaca.
Afinal, um abraço aos Presidentes de Câmara do PS que já na altura da ditadura forte e feia do marginal, fizeram frente à "Venezuelalização" de São Bento com o tipo que foi para Paris.
Esses não mudaram de casaca.
Portagens na Via do Infante NUNCA!!!
É ridículo, perigoso, vai destruir o Turismo do Algarve e trazer ainda mais fome e miséria aos locais.

maria lisboa....... disse...

Notas Várias para o PM com a sua licença.

Querido PM
Essa história do “colosso” anda a dar que falar e sabe porquê? Porque a resposta nunca foi dada com “força” e sem hesitações.
Se Vossa Excelência tivesse dito logo que o desvio era realmente colossal e que não entendia para quê tanto alvoroço, já se tinham esquecido..mas não…
Os políticos adoram esse “diz que disse e não disse” do dizer em “privado” no Partido, como se não houvessem moscardos a mamar à volta ruídos de inveja sua e prontos a enterrá-lo, a deixá-lo ficar mal. A fazer intrigas com os que mais genuinamente se preocupam e lhe têm amizade, para poder fazer a m…. que querem à vontade, uma vez afastados os mesmos.
Esses moscardos geralmente levam a sua avante. Depende da perspicácia do líder.
CUIDADO! O melhor amigo é o que critica!!! Não o que diz a tudo que sim!
Nunca ouviu aquilo de “dividir para reinar”….
Quando algo acontece assim, assume-se e corta-se pela raiz estes média nojentos portugueses.
Mais com uma VERDADE dessas.
Para quê esconder ou andar com rodeios?
Pelo amor da Santa.
Sejam distintos à porcaria começada por “m” que lá esteve durante 6 anos.
Sejam dignos.
Sejam verdadeiros.
Respeitem a inteligência de algum povo e sejam respeitados!
Os 1ºs três meses são IMPORTANTÍSSIMOS para a imagem que fica do Governo.
Parem de falar em “privado”.
Falem pouco.
Pensem MUITO antes de abrir a boca.
E trabalhem, que para isso votámos em vocês!
Obrigada
Maria

Anónimo disse...

O que se passa na CML?
Quem tem mão na CML?

الرجل ذبح بعضهم البعض ولكن الخيول باهظة الثمن disse...

Já passou a crise da dita capital

é só dar uns milhares a mais do que irá ganhar até 2015

já agora manter os velhos nomes patronímicos de Lisboa
desde a cerca moura...

o problema é pouca gente ler árabe

ou as freguesias já extintas nas anteriores reformas

até nem sabia que o Bairro de São Sebastião era chamado de azul?

as casas onde andei eram bastante escuras

Reconstituição de Paróquias da Cidade de Lisboa até 1200 ?

inclusive as extintas via terramoto

registos paroquiais de Santa Cruz do Castelo ....hoje chama-se só freguesia do Castelo

os filhos da igreja reclamam o nome de Santa Cruz

o da Pedreira sinceramente não sei donde vem havia uma pedreira dificilmente

pois acho que o calcário já não tem afloramentos aquela cota...

logo nomes perdidos no tempo

Hugo Correia disse...

Ainda o "sonho". Esqueci-me de mencionar que a palavra está associada ao que disse em resposta a António Costa, na passada quarta-feira, na reunião pública de câmara, a propósito da aprovação do plano de pormenor do Parque Mayer. Apesar de reconhecer qualidades ao plano, foi categórico em dizer que a solução encontrada não representa o sonho que tinha para aquele espaço. E é assim a ambição e exigência de um "homem que sonha com a Pólis perfeita", frase que consta na capa do livro que acima transcrevi. Livro de um gigante testemunho do seu trabalho autárquico, na Figueira e Lisboa. Lê-se e não se acredita. Como é possível um político com esta percepção das necessidades de um espaço e de um povo, com esta capacidade de trabalho, estar tanto tempo fora dos grandes centros de decisão, seja no poder local, central, na Europa ou no Mundo? É que é mesmo assim! Faz-nos muita falta. Mas deve ser por isto...

«Contava com a equipa no dia-a-dia. Quando as pessoas vêm para um trabalho destes têm de interiorizar que é como estarem num Seminário, por vocação. Reconheço que as pessoas têm de abdicar bastante da sua vida familiar e pessoal porque este é um trabalho que exige dedicação quase 24 horas por dia, todos os dias.
Sabe quem trabalha comigo, que quase não gosto que as pessoas tenham fins-de-semana ou que vão de férias. Têm de estar ali. Constituem uma equipa disponível para a política. A toda a hora surgem assuntos de espaços de diversão nocturna; problemas com «sem abrigo»; inundações; derrocadas de um prédio; assuntos financeiros de urgência; uma decisão que está atrasada; um processo que é preciso despachar; mortes que acontecem; é preciso acorrer porque aconteceu algo numa cobertura; entrou um autocarro por dentro de um buraco...isto é: acontece de tudo, a toda a hora, numa cidade. Portanto, a disponibilidade permanente numa equipa é fundamental. É preciso contar com ela.
[...]Importa criar um novo espírito e traçar o objectivo da nossa equipa de funcionários da autarquia ser a melhor do país e, assim, ter a cidade mais limpa da Europa ou do mundo. O pior da mentalidade latina é a resignação. Mobilizo pela autoridade mas, também, pelo entusiasmo. Se as coisas estão bem feitas, há que reconhecê-lo. Gosto muito de chegar ao pé de qualquer pessoa que trabalha na Câmara e poder felicitá-la. Será muito especial o dia em que as coisas estejam a funcionar assim, quase automaticamente, sem esforço.
Dizem que tenho mau feitio. Mas daquilo a que chamam «mau feitio» é ser exigente, é ser capaz de impor prazos e a maneira como se fazem as coisas no respeito pela lei. Há que ser muito, muito exigente e ambicioso. Por várias razões a Função Pública, em Portugal, não está motivada e tem tendência para fazer metade. Por isso, temos de pôr a fasquia muito alta e habituar as pessoas na ideia de que os objectivos são para serem cumpridos.»

Assusta!

Anónimo disse...

Sr "Hugo Correia" não quer fazer um blogue? Vai ver que se diverte muito mais e até pode ter que o comente. Não venha para aqui entupir isto, homem de Deus!Irra que há mesmo gente com falta de tacto!!!

Carlos André Martins disse...

Não falo de Lisboa,confio em si para isso!

Falo é de Guimarães e da trapalhada que por lá se passa...
Estas sim são as verdadeiras trapalhadas!
E quem é que vai no leme?

Era razão suficiente para ter vergonha e demitir-se, não faz nada que se aproveite.


É mais fácil demitir governos democraticamente eleitos!

PedroSantanaLopes disse...

Hugo Correia:
Você é uma máquina!
Abraço grande
PSL

Hugo Correia disse...

«É próprio de um néscio ser inoportuno: um homem arguto nota quando está a ser inconveniente ou maçador; sabe retirar-se no momento que precede aquele em que estaria a mais.»

La Bruyère, Os caracteres

Ainda não me sinto a mais. Enquanto este espaço existir, e me for dado acolhimento, é por cá que andarei. Faço-o com prazer e sem esforço. Obrigado pelo conforto das suas palavras(apesar de não me sentir uma máquina)....

«Aquele que te compreende, mesmo no outro lado do mundo, é como um vizinho.» Provérbio chinês

Zénite disse...

“4- Cerca de 20 nomes de Santos ou de outras Figuras da Igreja Católica desaparecem das designações de Freguesias em Lisboa. Por exemplo: Nossa Senhora de Fátima e São Sebastião da Pedreira dão origem a uma nova Freguesia chamada Avenidas Novas.”

Pela mesma razão, o actual presidente da Câmara M. de Lisboa, António Luís dos Santos da Costa, devia mudar o nome para António Luís Edil da Costa, ou para António Luís Taxador da Costa (já que é o presidente que mais taxa).

Jorge Diniz disse...

Caro Hugo Correia, quando um homem busca muitas citações, para se justificar, costuma fazer parvoíces.
O ultimo exemplo pode ser encontrado na Noruega.

Hugo Correia disse...

Caro Jorge Diniz...

«Cada qual julga segundo o seu interesse e adorna com razões as suas opiniões caprichosas. A maioria dos homens antepõe o afecto ao recto juízo. Quando duas pessoas mantêm pareceres contrários, presume cada qual ter a razão do seu lado; mas esta, que é sempre fiel, nunca teve duas caras. Cumpre ao sábio acautelar-se em assunto tão delicado; o seu receio corrigirá a opinião inicial sobre o comportamento alheio. Que ele se coloque por vezes na posição do adversário, para examinar em que é que ela se funda. Deste modo, não o condenará, nem se justificará a si mesmo tão cegamente.»

Gracián, Arte da prudência

Jorge Diniz disse...

Caro Hugo Correia,
quase me apetecia citar o Rei de Espanha "por que não te calas". No entanto, a sua resposta "citada" diz que "...julga segundo o seu interesse...".

Qual o "...seu interesse?

Hugo Correia disse...

«Aqueles que, não nos conhecendo suficientemente, pensam mal de nós, não têm poder de nos prejudicar: não somos nós o alvo dos seus ataques, é o fantasma da sua imaginação.»

La Bruyère, Os caracteres

Jorge Diniz disse...

"Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele.
Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia."

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

Hugo Correia disse...

Interesse? Lamber...? Pois! Ainda no campo da citação...

Jorge Diniz disse...

Assim sim, AVANCE.
Conte comigo, nem que seja para "colar cartazes".
Sábado, Junho 26, 2010 6:36:00 PM

Jorge Diniz disse...

Assim sim, AVANCE.
Conte comigo, nem que seja para "colar cartazes".
Sábado, Junho 26, 2010 6:38:00 PM


Game over!

Jorge Diniz disse...

— Você pensou bem no que vai fazer, Paulo?
— Pensei. Já estou decidido. Agora não volto atrás.
— Olhe lá, hein, rapaz...
Paulo está ao mesmo tempo comovido e surpreso com os três amigos. Assim que souberam do seu divórcio iminente, correram para visitá-lo no hotel. A solidariedade lhe faz bem. Mas não entende aquela insistência deles em dissuadi-lo. Afinal, todos sabiam que ele não se acertava com a mulher.
— Pense um pouco mais, Paulo. Reflita. Essas decisões súbitas...
— Mas que súbitas? Estamos praticamente separados há um ano!
— Dê outra chance ao seu casamento, Paulo.
— A Margarida é uma ótima mulher.
— Espera um pouquinho. Você mesmo deixou de freqüentar nossa casa por causa da Margarida. Depois que ela chamou vocês de bêbados e expulsou todo mundo.
— E fez muito bem. Nós estávamos bêbados e tínhamos que ser expulsos.
— Outra coisa, Paulo. O divórcio. Sei lá.
— Eu não entendo mais nada. Você sempre defendeu o divórcio!
— É. Mas quando acontece com um amigo...
— Olha, Paulo. Eu não sou moralista. Mas acho a família uma coisa importantíssima. Acho que a família merece qualquer sacrifício.
— Pense nas crianças, Paulo. No trauma.
— Mas nós não temos filhos!
— Nos filhos dos outros, então. No mau exemplo.
— Mas isto é um absurdo! Vocês estão falando como se fosse o fim do mundo. Hoje, o divórcio é uma coisa comum. Não vai mudar nada.
— Como, não muda nada?
— Muda tudo!
— Você não sabe o que está dizendo, Paulo! Muda tudo.
— Muda o quê?
— Bom, pra começar, você não vai poder mais freqüentar as nossas casas.

— As mulheres não vão tolerar.

— Você se transformará num pária social, Paulo.
— O quê?!
— Fora de brincadeira. Um reprobo.
— Puxa. Eu nunca pensei que vocês...
— Pense bem, Paulo. Dê tempo ao tempo.
— Deixe pra decidir depois. Passado o verão.
— Reflita, Paulo. É uma decisão seriíssima. Deixe para mais tarde.
— Está bem. Se vocês insistem...
Na saída, os três amigos conversam:
— Será que ele se convenceu?
— Acho que sim. Pelo menos vai adiar.
— E no solteiros contra casados da praia, este ano, ainda teremos ele no gol.
— Também, a idéia dele. Largar o gol dos casados logo agora. Em cima da hora. Quando não dava mais para arranjar substituto.
— Os casados nunca terão um goleiro como ele.
— Se insistirmos bastante, ele desiste definitivamente do divórcio.
— Vai agüentar a Margarida pelo resto da vida.
— Pelo time dos casados, qualquer sacrifício serve.
— Me diz uma coisa. Como divorciado, ele podia jogar no time dos solteiros?
— Podia.
— Impensável.
— É.
— Outra coisa.
— O quê?
— Não é reprobo. É réprobo. Acento no "e".
— Mas funcionou, não funcionou?

Texto extraído do livro de Luis Fernando Verissimo "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 41.