Faz hoje 32 anos que a Aliança Democrática, com Francisco Sá Carneiro a liderar, ganhou, pela primeira vez, as eleições legislativas em Portugal.
Foi uma vitória histórica até porque foi a primeira a partir da Oposição, no regime instaurado com o 25 de Abril de 1974. Foi histórica porque Sá Carneiro ganhou, apesar da guerra movida por muitos notáveis do seu Partido, principalmente alguns que hoje tremem só de ouvir falar nisso. Sá Carneiro ganhou contra o Presidente da República, contra o Conselho da Revolução, contra a Imprensa estatizada (não havia, praticamente, Imprensa privada).
Francisco Sá Carneiro tinha uma fibra única. Não tinha medo, era destemido, era perseverante. Não se impressionava nada com o que diziam. Ouvia, podia respeitar, mas, se o atacavam, seguia em frente.
Como sempre sucede quando estão PSD e CDS no poder, foi um desassossego, uma agitação, uma oposição febril. O que se passa hoje é muito pouco quando comparado com o que então aconteceu.
Nesses dias, eu estava a estudar em Colónia. Ainda não tinham chegado os telemóveis pelo que tivemos de passar a noite em cabines telefónicas para ir sabendo o resultado. O José Manuel Sequeira, que estudava em Amsterdão, foi lá passar esse dia e essa noite para partilharmos esses momentos. Estava outro Português no Lar onde vivi, Miguel Quintanilha Mantas, vindo do Colégio Alemão, onde fora um muito bom aluno, para a Fa Faculdade de Economia. E, connosco, estava sempre um Brasileiro, Erick de Vasconcelos, que tirava o curso de Maestro, na MusikHochSchule.
Eram tempos de grandes combates mas, também, de esperança e entusiasmo. Sentíamos que se estava a construir um tempo novo de Portugal. No dia seguinte à vitória, não resisti e apanhei um avião para Portugal. Os situacionistas - incluindo os do PSD - estavam atordoados. Mas o principal é que muita gente estava radiante, mesmo eufórica. Ninguém podia imaginar que esse sonho, com Francisco Sá Carneiro, duraria um ano.
